🕌 Os Principais Grupos do Islã: Como uma Religião se Dividiu em Mundos Distintos
O Islã é a segunda maior religião do mundo, com mais de 1,8 bilhão de seguidores — mas está longe de ser um bloco homogêneo. Após a morte do profeta Maomé no século VII, disputas sobre liderança, fé e espiritualidade fragmentaram a religião em vertentes que moldaram impérios, guerras, culturas e nações inteiras. Conhecer esses grupos é entender boa parte da história do mundo.
Do sunismo majoritário ao misterioso mundo dos Drusos, cada corrente carrega séculos de tradição, conflito e identidade própria. Neste artigo, você vai descobrir quem são, como surgiram e o que os diferencia — de forma clara, curiosa e sem simplificações.
O canal Passado Contemporâneo apresenta, em apenas 8 minutos, uma síntese brilhante sobre os principais grupos islâmicos — uma leitura visual indispensável antes de mergulhar neste artigo.
🕌 Sunismo: A Maioria que Construiu Impérios
O sunismo é o maior grupo islâmico do mundo, reunindo entre 85% e 90% dos muçulmanos. O nome vem da palavra suna, que significa a tradição e os ensinamentos do profeta Maomé — a norma seguida pela grande maioria da comunidade.
A origem do sunismo está diretamente ligada à crise de sucessão após a morte de Maomé em 632 d.C. Sem um sucessor formalmente designado, a comunidade decidiu escolher o próximo líder por consenso. Foi assim que Abu Bakr, companheiro próximo do profeta, tornou-se o primeiro califa — uma decisão que agradou a maioria, mas que criou uma divisão irreversível dentro do Islã.
Com o passar dos séculos, o sunismo se consolidou como a vertente dominante, especialmente graças à sua associação com grandes impérios. Os Omíadas, os Abácidas e, mais tarde, o Império Otomano foram todos governados por califas sunitas. Durante o período abácida, Bagdá tornou-se um dos maiores centros científicos do mundo medieval, com avanços em matemática, medicina e filosofia que influenciaram profundamente a Europa.
Essa combinação de poder político, institucionalização religiosa e expansão cultural foi o que consolidou o sunismo como a vertente mais influente do Islã até os dias de hoje.
☪️ Xiismo: A Liderança que Deveria Ficar na Família
Enquanto a maioria aceitou que a comunidade escolhesse o novo líder, um grupo acreditava que a liderança do Islã deveria permanecer na família do profeta. Para eles, o sucessor legítimo de Maomé era Ali ibn Abi Talib, seu primo e genro. Essa crença deu origem ao xiismo — o segundo maior grupo islâmico, representando entre 10% e 15% dos muçulmanos no mundo.
Os líderes espirituais xiitas são chamados de imãs, figuras consideradas guias religiosos legítimos que descendem da linhagem de Ali. O xiismo não é apenas uma posição política — é uma visão de mundo que coloca a linhagem sagrada como elemento central da autoridade religiosa.
⚔️ A Batalha de Karbala: O Trauma que Moldou o Xiismo
O acontecimento mais marcante da história xiita ocorreu em 10 de outubro de 680, nas planícies de Karbala, no atual Iraque. Hussain ibn Ali, neto do profeta Maomé, recusou-se a jurar lealdade ao califa omíada Yazid I — um homem amplamente considerado ilegítimo pelos xiitas — e marchou em direção a Kufa com um grupo de aproximadamente 70 homens.
Ali, seu pequeno exército foi cercado e massacrado por uma força de cerca de 4.000 soldados. Hussain foi morto junto com a maioria de seus companheiros e familiares. O episódio tornou-se um símbolo profundo de injustiça, resistência e sacrifício — e é relembrado anualmente durante a celebração da Ashura, uma das datas mais emotivas do calendário islâmico xiita.
Hoje, os xiitas têm influência política enorme em países como Irã, Iraque e Azerbaijão. A Revolução Iraniana de 1979, que transformou o Irã em uma República Islâmica liderada por clérigos xiitas, é um dos exemplos mais expressivos dessa força política — e mudou permanentemente o equilíbrio do Oriente Médio.
🏺 Ibadismo: A Tradição Mais Antiga que Quase Ninguém Conhece
Se você nunca ouviu falar em ibadismo, não está sozinho. Essa é uma das vertentes mais antigas do Islã — e também uma das menos conhecidas fora do seu território de origem. Surgido nos primeiros séculos após a morte de Maomé, a partir de disputas políticas e religiosas intensas, o ibadismo desenvolveu ao longo do tempo uma identidade própria e moderada, distinta tanto do sunismo quanto do xiismo.
Uma das ideias centrais do ibadismo é que o líder da comunidade muçulmana não deve ser escolhido por linhagem familiar, mas sim por sua justiça, conhecimento e capacidade de governar. Mais do que isso: esse líder pode e deve ser removido se governar de forma injusta — uma ideia surpreendentemente democrática para o mundo medieval.
Hoje, o ibadismo é a vertente dominante no Omã, onde influencia profundamente a organização religiosa e política do país. Durante a Idade Média, comunidades ibaditas criaram pequenos estados independentes no norte da África — especialmente em regiões da atual Argélia, Tunísia e Líbia — e controlavam rotas comerciais vitais através do deserto do Saara.
🌀 Sufismo: A Alma Mística do Islã
Nem toda corrente islâmica se preocupa primariamente com poder ou política. O sufismo representa algo diferente: uma busca pela conexão espiritual direta com Deus, que vai além dos rituais externos da religião. É a dimensão mística e contemplativa do Islã.
Os sufis acreditam que a fé não deve ser apenas praticada externamente, mas vivida de forma profunda no interior de cada pessoa. Para isso, desenvolveram práticas como a meditação, os cânticos religiosos (dhikr), a poesia espiritual e rituais simbólicos únicos. O exemplo mais famoso são os derviches rodopiantes, ligados à Ordem Mevlevi, fundada na Turquia pelo poeta e místico Rumi — onde o movimento giratório simboliza a busca pela união com Deus.
O sufismo pode existir tanto entre sunitas quanto entre xiitas, pois não é uma divisão doutrinária dentro do Islã, mas uma abordagem espiritual da fé. Ao longo da história, mestres sufis tiveram um papel fundamental na expansão do Islã pela África, pela Ásia Central e pelo sul da Ásia — muitas vezes, sem o uso de conquistas militares, mas através da influência espiritual e da comunidade que formavam ao redor de si.
Essa dimensão da religiosidade islâmica tem paralelos curiosos com outras tradições contemplativas do mundo. Assim como comunidades fechadas e isoladas desenvolvem identidades culturais únicas — como os povos que resistem ao contato externo para preservar sua cultura —, as ordens sufis também criaram espaços de preservação de tradições espirituais profundas.
👁️ Alauísmo: A Minoria que Dominou a Síria
O alauísmo é um dos grupos mais enigmáticos ligados ao Islã. Surgido a partir de tradições associadas ao xiismo, mas tendo se desenvolvido de maneira bastante independente ao longo dos séculos, o alauísmo mistura elementos religiosos, filosóficos e influências de outras tradições espirituais. Por causa dessas particularidades, muitos muçulmanos tradicionais não o consideram uma vertente ortodoxa do Islã.
O que torna o alauísmo politicamente fascinante é a sua história na Síria. A família Assad, que governou o país por décadas, pertence a essa minoria religiosa. Quando Hafez al-Assad chegou ao poder em 1970, membros da comunidade alauíta passaram a ocupar posições estratégicas no exército, nos serviços de segurança e no governo — criando uma estrutura de poder onde uma minoria religiosa controlava um estado de maioria sunita.
Essa tensão estrutural foi um dos fatores que alimentaram a violenta Guerra Civil Síria, iniciada em 2011, quando protestos populares se transformaram em conflito armado de proporções catastróficas, com reflexos que ainda são sentidos na geopolítica regional.
🎵 Alevismo: Tradição Turca com Identidade Própria
O alevismo é uma tradição religiosa ligada ao Islã que se desenvolveu principalmente na Turquia, com raízes que combinam elementos do xiismo, do sufismo e de tradições culturais da Anatólia. Mas os alevis não se encaixam facilmente em nenhuma dessas categorias — eles desenvolveram práticas e crenças profundamente próprias.
Uma das diferenças mais visíveis é que as cerimônias alevis não acontecem em mesquitas. Em vez disso, ocorrem em espaços comunitários chamados Semevis, onde os participantes realizam encontros que incluem música, dança ritual e reflexão coletiva. A tradição alevi também valoriza fortemente a igualdade entre homens e mulheres nas cerimônias religiosas — algo bastante distinto do Islã mais tradicional.
A história dos alevis na Turquia é marcada por períodos de tensão e perseguição. O episódio mais sombrio foi o Massacre de Sivas, em 1993, quando dezenas de intelectuais e artistas ligados à cultura alevi morreram num incêndio criminoso provocado por extremistas. Mesmo assim, o alevismo continua como uma das tradições religiosas mais vivas da Turquia, com profunda influência na música, na poesia e na cultura popular do país.
🔍 Ahmadiyya: Controvérsia, Perseguição e Missão Global
Entre os grupos associados ao Islã, poucos geraram tanta controvérsia quanto o movimento Ahmadiyya. Surgido no final do século XIX na Índia Britânica, o movimento foi fundado por Mirza Ghulam Ahmad, que afirmava ser um reformador religioso enviado por Deus para renovar a fé islâmica com uma interpretação mais espiritual e pacífica.
O problema, aos olhos da maioria do mundo islâmico, era que Ahmad afirmava possuir um papel profético especial — algo inadmissível dentro do Islã, que considera Maomé o último profeta. Por isso, grande parte do mundo islâmico não reconhece os seguidores do Ahmadiyya como muçulmanos.
No Paquistão, uma lei aprovada em 1974 classificou oficialmente os membros do movimento como não muçulmanos — tornando legal a discriminação institucional contra eles. A perseguição ao Ahmadiyya continua sendo documentada em vários países muçulmanos.
Apesar disso, o movimento espalhou-se por dezenas de países e é conhecido pelo seu intenso trabalho missionário internacional e pela construção de mesquitas e centros islâmicos ao redor do mundo. A história do Ahmadiyya é um lembrete de que, dentro do próprio Islã, a questão de quem é — ou não é — muçulmano permanece um campo minado.
🗝️ Drusos: A Religião Fechada que Moldou o Oriente Médio
Entre todos os grupos ligados ao mundo islâmico, os Drusos são provavelmente os mais únicos. Originados por volta do século XI a partir de movimentos ligados ao ismaelismo xiita, os Drusos desenvolveram ao longo do tempo uma religião própria com crenças filosóficas que se afastaram consideravelmente do Islã tradicional.
Uma característica que distingue radicalmente a fé drusa de praticamente todas as outras religiões do mundo é o seu fechamento total: ela não aceita conversões e muitos dos seus ensinamentos são mantidos em segredo, acessíveis apenas aos membros iniciados da comunidade. Nascer druso é a única forma de ser druso.
Hoje os Drusos vivem principalmente no Líbano, na Síria e em Israel, onde formam comunidades relativamente pequenas, mas altamente organizadas e influentes. Durante a Guerra Civil Libanesa (1975–1990), milícias drusas participaram ativamente de alianças e combates que influenciaram diretamente o equilíbrio de poder do país.
A história dos Drusos é um exemplo fascinante de como o mundo islâmico gerou, ao longo dos séculos, tradições religiosas completamente distintas — algumas tão únicas que se tornaram religiões independentes por si mesmas. Tal capacidade de gerar identidades fechadas e resilientes lembra outros fenômenos de isolamento cultural intencional, como o caso da Tribo Sentinelesa, que recusa qualquer contato com o mundo externo.
📊 Comparativo dos Principais Grupos Islâmicos
| Grupo | Origem | % Estimado de Muçulmanos | Principal Região | Característica Central |
|---|---|---|---|---|
| Sunismo | Após a morte de Maomé (632 d.C.) | 85–90% | Oriente Médio, Ásia, África | Liderança por consenso da comunidade |
| Xiismo | Após a morte de Maomé (632 d.C.) | 10–15% | Irã, Iraque, Azerbaijão | Liderança pela linhagem do profeta (imãs) |
| Ibadismo | Século VII d.C. | ~1% | Omã, norte da África | Liderança por mérito, não por linhagem |
| Sufismo | Séculos VIII–IX d.C. | Transversal | Turquia, Ásia Central, sul da Ásia | Misticismo e espiritualidade interior |
| Alauísmo | Século IX d.C. | ~1–2% | Síria | Sincretismo religioso e político |
| Alevismo | Séculos XIII–XV d.C. | ~15–20% na Turquia | Turquia | Cerimônias em Semevis, igualdade de gênero |
| Ahmadiyya | Século XIX d.C. | <1% | Paquistão, África, Ocidente | Reformismo, missão global, perseguição |
| Drusos | Século XI d.C. | <1% | Líbano, Síria, Israel | Religião fechada, sem conversões |
🌟 Curiosidades Bônus: Fatos Surpreendentes sobre o Islã e seus Grupos
- 🌐 O Islã é a religião que mais cresce no mundo — projeções indicam que poderá superar o Cristianismo em número de fiéis até o final do século XXI.
- 🌀 Os derviches rodopiantes (Mevlevi) foram banidos na Turquia em 1923 por Atatürk, junto com outras ordens sufis — e só voltaram a ser permitidos décadas depois, inicialmente como “folclore cultural”.
- 📜 O Alcorão foi compilado por escrito apenas após a morte de Maomé — antes, era transmitido principalmente de forma oral por seus discípulos.
- 🕌 O Islã proíbe imagens do profeta Maomé — uma razão pela qual a arte islâmica medieval desenvolveu a caligrafia e os padrões geométricos a níveis de sofisticação incomparáveis.
- 🏛️ Bagdá, sob os califas abácidas sunitas, foi a maior cidade do mundo no século X d.C., com uma população estimada entre 500 mil e 1 milhão de habitantes.
- ⚔️ A Batalha de Karbala durou apenas um dia — 10 de outubro de 680 — mas seu impacto moldou 1.400 anos de história islâmica e continua influenciando conflitos modernos no Oriente Médio.
- 🗺️ Os Drusos de Israel servem no exército israelense — uma das particularidades políticas mais curiosas do Oriente Médio, onde uma minoria de origem islâmica serve às forças armadas do Estado judeu.
- 📖 Rumi, o poeta sufi mais lido no mundo, vende mais livros nos Estados Unidos do que qualquer outro poeta — mesmo tendo vivido no século XIII, no atual Afeganistão e Turquia.
🔭 A Divisão que Ainda Molda o Mundo Hoje
Entender os grupos do Islã é muito mais do que uma lição de história religiosa. É uma chave para compreender guerras, alianças, fronteiras e identidades que moldam o noticiário global diariamente. A rivalidade entre sunitas e xiitas explica tensões entre Arábia Saudita e Irã. O alauísmo explica a estrutura de poder na Síria. O Ahmadiyya explica perseguições religiosas no Paquistão.
Cada um desses grupos surgiu de uma mesma fonte — a morte de um profeta e a pergunta que ficou sem resposta: quem deve liderar? — mas evoluiu em direções completamente distintas, gerando culturas, literaturas, arquiteturas e formas de viver o sagrado que são únicas no mundo.
A história das divisões islâmicas também nos lembra que nenhuma grande tradição religiosa permanece imutável. O Islã, como o Cristianismo, o Judaísmo e o Budismo, é uma família de tradições vivas — que crescem, se transformam, se fragmentam e se reinventam ao longo dos séculos. Essa riqueza é parte do que torna o estudo das religiões tão fascinante e tão necessário.
Se você se interessa por origens de tradições religiosas e como festas e crenças se transformam ao longo do tempo, vale também conhecer a história surpreendente do Natal e suas origens que poucos conhecem.
❓ Perguntas Frequentes sobre os Grupos do Islã
1. Qual é a diferença principal entre sunitas e xiitas?
A diferença central está na questão da sucessão após a morte do profeta Maomé. Os sunitas acreditam que o líder deveria ser escolhido pela comunidade, enquanto os xiitas acreditam que a liderança deveria permanecer na família do profeta — especificamente com Ali ibn Abi Talib, seu primo e genro. Essa divergência política originou diferenças teológicas, práticas e culturais profundas ao longo dos séculos.
2. O sufismo é uma religião separada do Islã?
Não. O sufismo é uma corrente mística dentro do próprio Islã, não uma religião à parte. Um sufi pode ser ao mesmo tempo sunita ou xiita. O que diferencia o sufismo é a ênfase na dimensão espiritual interior da fé, em vez de apenas seguir os rituais externos. As ordens sufis (turuq) funcionam como irmandades espirituais com práticas e mestres próprios.
3. Por que os Drusos não aceitam conversões?
A fé drusa é esotérica e fechada por princípio doutrinário. Acredita-se que as almas drusas formam um grupo fixo que se reencarna entre si — portanto, não há como “entrar” na religião. Os ensinamentos mais profundos são reservados a iniciados chamados uqqal (os sábios), enquanto a maioria dos membros, os juhhãl, tem acesso apenas às práticas externas.
4. O que é a Ashura e por que é tão importante para os xiitas?
A Ashura é a celebração anual do martírio de Hussain ibn Ali na Batalha de Karbala, em 680 d.C. Para os xiitas, é o dia mais sagrado e emotivo do ano — um período de luto, reflexão, procissões e, em algumas comunidades, manifestações físicas de dor. A Ashura não é celebrada apenas por razões religiosas, mas também como afirmação de identidade cultural e resistência diante da injustiça.
5. Os alauitas sírios são considerados muçulmanos pela maioria islâmica?
Essa é uma questão controversa. Muitos líderes religiosos sunitas e até alguns xiitas não reconhecem o alauísmo como uma vertente islâmica legítima, por causa das suas crenças sincréticas e práticas distintas. Os próprios alauitas se identificam como muçulmanos, mas a questão permanece objeto de disputa religiosa — e foi usada politicamente no contexto da Guerra Civil Síria.
6. O Ahmadiyya é perseguido em todos os países muçulmanos?
Não em todos, mas em vários. O Paquistão é o caso mais extremo: desde 1974, uma lei classifica os ahmadis como não muçulmanos, e leis adicionais aprovadas em 1984 criminalizam práticas religiosas ahmadis, como se identificar como muçulmano ou chamar seu local de culto de mesquita. Na Indonésia, Arábia Saudita e outros países, o movimento enfrenta restrições significativas. No Ocidente e em países como o Brasil, o movimento opera livremente.
7. Quantos muçulmanos existem no Brasil?
Estima-se que o Brasil tenha entre 1,5 e 2 milhões de muçulmanos — a maior comunidade islâmica da América Latina. A maioria é de origem árabe (especialmente de famílias que vieram da Síria e do Líbano no início do século XX) e é predominantemente sunita, embora existam comunidades xiitas, sufis e ahmadis em cidades como São Paulo, Curitiba e Foz do Iguaçu.
8. Qual é a relação entre o ibadismo e os carijitas históricos?
Os ibaditas têm origem histórica ligada aos carijitas — um movimento radical do século VII que defendia que qualquer muçulmano, independentemente de origem, podia ser califa, e que pecadores graves deveriam ser considerados infiéis. No entanto, ao longo do tempo, o ibadismo se distanciou das posições mais radicais dos carijitas e desenvolveu uma teologia moderada e pragmática. Os próprios ibaditas rejeitam a classificação como carijitas.
📚 Referências
- Sunismo — Wikipédia em Português
- Sufismo — Wikipédia em Português
- Ibadism — Wikipedia (English)
- Entenda as diferenças entre sunitas e xiitas — DW Brasil
- Battle of Karbala — Wikipedia (English)
- O Martírio do Imam al-Hussein — Centro Islâmico Arresala (Brasil)
- Explicando o que representam os principais grupos do Islã em 8 minutos — Passado Contemporâneo (YouTube)







