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Milei, Motosserra e Números – O Que Realmente Mudou na Argentina em Dois Anos de Governo e o Veredicto dos Argentinos

A De 211% para 31,5%: A Queda da Inflação Argentina e o Que Ela Revela Sobre o Governo Milei

Quando Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, o país vivia uma das piores crises econômicas de sua história recente: inflação de 211,4% ao ano, pobreza em alta e contas públicas no vermelho há décadas. Dois anos depois, os números contam uma história diferente — mas nem sempre simples. A inflação despencou para 31,5% em 2025, o menor patamar em oito anos. O PIB voltou a crescer. E os argentinos estão divididos sobre o que tudo isso significa para o futuro do país.

https://www.youtube.com/watch?v=ikeGsd08GtM?t=0

📺 Revista Oeste: O Que Diz a Correspondente na América Latina

No Jornal da Oeste da Revista Oeste, a correspondente na América Latina, Maria Laura Assis — que vive na Argentina há cerca de 20 anos —, descreveu em detalhes o contraste entre os anos do governo Alberto Fernández (2019–2023) e o atual governo Milei.

Segundo ela, entre 2019 e 2023, “os preços nas prateleiras subiam todos os dias e não tinha nenhum freio“. Havia até limites de compra em produtos básicos como farinha e óleo, além de um dólar em espiral sem controle. O cenário de hoje, na visão da correspondente, representa principalmente “equilíbrio e um freio” ao que o argentino vinha vivendo.

Ela também destacou a queda da taxa de pobreza — de 51% para 30% no período analisado —, a entrada de investimentos internacionais e o fortalecimento relativo do peso argentino. Ao mesmo tempo, o vídeo traz a informação de que Milei cortou cerca de 60.000 empregos públicos e vem privatizando empresas estatais.

O Que Era a Argentina Antes de Milei: Um Histórico de Inflação

Para entender a dimensão do problema que Milei herdou, é preciso olhar para trás. A Argentina convive com inflação crônica há décadas, mas o cenário se agravou progressivamente:

  • Cristina Kirchner assumiu em 2007 com inflação de 8% e deixou em 2015 com 27%.
  • Maurício Macri assumiu com 27% e encerrou seu mandato em 2019 com 53%.
  • Alberto Fernández assumiu com 53% e deixou o governo em 2023 com 211,4%.
  • Javier Milei assumiu em dezembro de 2023 e encerrou 2025 com inflação anual de 31,5%.

Essa trajetória mostra que o problema inflacionário argentino não nasceu com um único governo. Mas também evidencia que a aceleração mais brutal ocorreu justamente nos quatro anos de Alberto Fernández — e que o governo Milei conseguiu reverter parte significativa dessa espiral em menos de dois anos.

Para quem quer entender melhor como a relação entre inflação e câmbio afeta a vida cotidiana das pessoas, vale a leitura de O Que o Câmbio Tem a Ver com o Preço do Pão, aqui no Brasil Ideal.

O Que Mudou com Milei: Dados e Resultados Verificáveis

Inflação em queda expressiva

O índice de preços ao consumidor argentino acumulou 31,5% em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estadística e Censos (INDEC). O resultado é o mais baixo desde 2017, quando a inflação havia ficado em 24,8%. Em 2024, a inflação ainda foi de 117,8% — uma queda de quase 94 pontos percentuais em relação a 2023.

O próprio governo Milei projeta que a inflação de 2026 pode cair para 20,5%, segundo levantamento de expectativas de mercado. Para janeiro de 2026, a projeção oficial era de inflação mensal abaixo de 0,8%.

Um sinal de alerta, no entanto, foi registrado pela imprensa especializada: a inflação mensal se acelerou pelo quarto mês consecutivo em dezembro de 2025, atingindo 2,8% — acima dos 2,4% projetados pelo mercado. Economistas alertam que a desinflação deixou de ser um processo linear.

PIB volta ao positivo

O Produto Interno Bruto da Argentina cresceu 4,4% em 2025, segundo o INDEC — o primeiro resultado anual positivo desde 2022 e o primeiro crescimento registrado sob a gestão Milei. Em 2024, a economia havia encolhido 1,3%.

Os principais motores do crescimento foram o setor agrícola (+17,2%), a pecuária e silvicultura (+16,1%), a pesca (+10,6%) e a intermediação financeira. A Formação Bruta de Capital Fixo — indicador de investimentos — saltou 16,4%, e o consumo privado subiu 7,9%.

O reverso da medalha: a indústria manufatureira registrou queda de 3,9%, e o comércio recuou 1,3%. Mais de 21.000 empresas fecharam nos últimos dois anos, segundo dados do Istoé Dinheiro. A recuperação, como alertam especialistas, ainda é heterogênea.

Superávit fiscal pela primeira vez em 17 anos

A Argentina registrou superávit primário de 1,4% do PIB em 2025 — o segundo ano consecutivo de resultado positivo, algo que o país não alcançava desde 2008. A política de “déficit zero” adotada por Milei inclui corte de subsídios, congelamento de orçamentos em saúde, educação e ciência, além da demissão de cerca de 60.000 servidores públicos.

Pobreza: queda acentuada, mas ainda alta

A taxa de pobreza encerrou o segundo semestre de 2025 em 28,2% da população, segundo o INDEC — o menor nível desde 2018. Em comparação, no primeiro semestre de 2024, a pobreza havia atingido o pico de 52,9%. A indigência também recuou: de 18,1% no início de 2024 para 6,3% no segundo semestre de 2025.

Isso significa que, embora o ajuste tenha gerado sofrimento real para a população mais vulnerável nos primeiros meses, os indicadores sociais apresentam melhora consistente ao longo de 2025.

Ciclo Vicioso da Economia: Por que o Desemprego Explode Quando o PIB Cai

Comparativo: Argentina Antes e Depois de Milei

A tabela abaixo reúne os principais indicadores econômicos da Argentina nos períodos imediatamente anterior e posterior à chegada de Milei ao poder:

IndicadorFim de 2023 (antes de Milei)Fim de 2024Fim de 2025
Inflação anual211,4%117,8%31,5%
PIB (variação anual)-2,5% (estimado)-1,3%+4,4%
Taxa de pobreza~41,7% (2º sem/2023)38,1%28,2%
Taxa de indigência~11,9% (2º sem/2023)~11,2% (2º sem/2024)6,3%
Resultado fiscalDéficit crônicoSuperávit primário 1,8% PIBSuperávit primário 1,4% PIB
Aprovação presidencial~54% (jan/2026)33–38% (mar-abr/2026)

Fontes: INDEC, Bloomberg Línea, G1, Valor Econômico, Universidade de San Andrés (LOOP), Zuban & Córdoba.

O Que os Argentinos Pensam: Aprovação, Satisfação e Reeleição

Os dados econômicos melhoraram, mas a popularidade de Milei oscilou bastante ao longo do mandato. E os números mais recentes mostram que o cenário político é mais complexo do que os indicadores macroeconômicos sugerem.

Do otimismo inicial ao desgaste de 2026

Em janeiro de 2026, pesquisa da consultora Poliarquía indicava 54% de aprovação ao governo Milei — um número expressivo para um governo que havia promovido cortes profundos. Naquela mesma pesquisa, 41% dos argentinos disseram que apoiariam Milei caso ele concorresse à reeleição em 2027, e 50% acreditavam que 2026 seria um ano melhor para o país.

No entanto, ao longo de 2026, o cenário mudou. A pesquisa ESPOP da Universidade de San Andrés, divulgada em março de 2026, mostrou que a aprovação de Milei havia caído para 38%, com 59% de desaprovação. A pesquisa da Zuban & Córdoba, realizada em abril de 2026, foi ainda mais severa: 65% desaprovavam o governo, e apenas 33% o aprovavam.

Entre as razões para o desgaste: 55% dos argentinos disseram que sua situação econômica pessoal piorou nos últimos 12 meses e a preocupação mais citada foi não conseguir chegar ao fim do mês. A corrupção também emergiu como um tema relevante no terceiro ano de governo.

Reeleição em 2027: o termômetro da rua

A disputa de 2027 ainda está em aberto. Em pesquisa da consultora Tendências realizada em março de 2026, Milei liderava as intenções de voto para a presidência com 38%, seguido de Axel Kicillof (governador de Buenos Aires) com 33,1%. No entanto, a pesquisa Zuban & Córdoba de abril de 2026 mostrou que 60,7% dos argentinos dizem que não votariam em Milei em um eventual segundo mandato — contra 29,4% que afirmaram que sim.

O paradoxo argentino de 2026 pode ser resumido assim: os números da macroeconomia melhoraram, mas o bolso do argentino médio ainda não sente os efeitos. O país está dividido entre quem celebra a estabilização e quem ainda aguarda a melhora chegar à mesa de jantar.

Para uma análise de como a política econômica impacta o cotidiano das pessoas — algo que o caso argentino ilustra de forma didática —, vale conferir Juros e Inflação em Queda: O Guia Completo do Impacto no seu Dinheiro.

A Argentina no Cenário Internacional: EUA, China e Novos Acordos

No campo das relações exteriores, Milei vem construindo uma aproximação estratégica com os Estados Unidos. A busca por um acordo de livre comércio com Washington é um dos objetivos declarados de seu governo. Em 2024, o comércio bilateral entre Argentina e EUA atingiu US$ 16,2 bilhões — praticamente empatado com a China, que registrou um volume de US$ 16,35 bilhões no mesmo período.

A China, por sua vez, manifestou interesse na visita do presidente argentino ao país — e Milei confirmou que possivelmente realizará essa visita em 2026. O principal interesse chinês são os produtos primários argentinos, especialmente soja e carne. Para Milei, no entanto, a prioridade ideológica é clara: fortalecer os laços com Trump e tentar o acordo com os EUA.

Acordos secretos firmados com a China durante governos anteriores — especialmente na área de segurança e uma estação que parte da imprensa descreve como base militar — foram cancelados por Milei após pressão dos Estados Unidos.

Brasil Cresce Pouco: Estamos Ficando para Trás no Cenário Global

O Que o Caso Argentino Ensina para o Brasil

A experiência argentina com o ajuste fiscal radical de Milei tem gerado debate no Brasil sobre políticas econômicas alternativas. O contraste é evidente: enquanto a Argentina reduziu drasticamente seus gastos públicos e zera o déficit, o Brasil caminha na direção oposta, com pressão crescente sobre as contas públicas e reformas tributárias que, segundo críticos, aumentam a carga sobre o contribuinte.

Isso não significa que o modelo argentino seja diretamente aplicável ao Brasil — os dois países têm estruturas muito diferentes. Mas o experimento de Milei oferece lições sobre a relação entre disciplina fiscal, inflação e confiança dos investidores. Sobre a relação entre gastos do governo e custo de vida para a população, veja também: Por Que os Preços São Tão Altos no Brasil?

Outro paralelo relevante diz respeito ao papel das pequenas empresas no desenvolvimento econômico. Enquanto a Argentina debate as consequências do fechamento de mais de 21.000 empresas no processo de ajuste, o Brasil precisa se perguntar como fortalecer seu ecossistema produtivo. Veja: Como as Pequenas Empresas Impulsionam a Economia do Brasil.

📊 Dados e Fatos em Destaque

  • A inflação argentina caiu de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025 — uma redução de quase 180 pontos percentuais em dois anos.
  • O PIB da Argentina cresceu 4,4% em 2025, o primeiro resultado positivo da era Milei e a primeira alta desde 2022.
  • A taxa de pobreza caiu de 52,9% (1º sem/2024) para 28,2% (2º sem/2025), segundo o INDEC.
  • A Argentina registrou superávit fiscal pelo segundo ano consecutivo em 2025 — algo que não ocorria desde 2008.
  • O comércio bilateral Argentina-China atingiu US$ 16,35 bilhões em 2024, praticamente empatado com os EUA (US$ 16,2 bilhões).
  • A aprovação de Milei oscilou entre 54% (jan/2026) e 33% (abr/2026), de acordo com diferentes consultorias.
  • 60,7% dos argentinos dizem que não votariam em Milei para um segundo mandato (Zuban & Córdoba, abril/2026).
  • Mais de 21.000 empresas fecharam na Argentina nos últimos dois anos, reflexo do ajuste e da abertura comercial.

✍️ Continue Explorando o Universo da Economia

Se você se interessa por política econômica comparada, gestão de renda pessoal e impacto das decisões do governo no seu bolso, o blog Brasil Ideal tem muito mais para você explorar. Leia, compartilhe com quem vai aproveitar esse conteúdo e deixe nos comentários: o modelo Milei tem algo a ensinar ao Brasil? Sua opinião enriquece o debate.

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Conclusão: Resultados Reais, Debate em Aberto

A experiência de Milei na Argentina entregou resultados macroeconômicos expressivos em pouco tempo: inflação no menor nível em oito anos, PIB positivo, superávit fiscal e queda acentuada da pobreza. Esses não são números inventados — são dados oficiais do INDEC, confirmados por agências internacionais como Bloomberg e FMI.

Mas a economia não é feita só de gráficos. O ajuste gerou desemprego, fechamento de empresas, cortes em saúde e educação, e um sofrimento real — especialmente nos primeiros meses — para as famílias de renda mais baixa. A aprovação de Milei, que chegou a 54% no início de 2026, caiu para cerca de 33% em abril, justamente porque o bolso do argentino médio ainda não sente a melhora na mesma velocidade que os índices oficiais.

O que a Argentina ensina ao mundo é que reformas estruturais profundas são possíveis — mas que o caminho entre o ajuste e a prosperidade é longo, desigual e cheio de resistências. O debate sobre o que funcionou, o que falhou e o que ainda precisa ser feito está longe do fim. E o resultado das eleições de 2027 vai dizer muito sobre o veredicto final dos próprios argentinos.

❓ Perguntas Frequentes sobre a Economia Argentina e o Governo Milei

1. Qual foi a inflação da Argentina em 2025?

A inflação acumulada na Argentina em 2025 foi de 31,5%, segundo o INDEC (Instituto Nacional de Estadística e Censos). Esse foi o menor índice desde 2017, representando uma queda expressiva em relação aos 117,8% registrados em 2024 e aos 211,4% de 2023.

2. O PIB da Argentina cresceu sob Milei?

Sim. Em 2025, o PIB argentino cresceu 4,4% — o primeiro resultado anual positivo desde 2022 e o primeiro crescimento registrado durante o governo Milei. Em 2024, a economia havia encolhido 1,3%. O crescimento foi liderado pelo agronegócio, pecuária e setor financeiro.

3. A pobreza caiu na Argentina?

Sim, de forma expressiva. A taxa de pobreza caiu de 52,9% (pico no 1º semestre de 2024) para 28,2% no segundo semestre de 2025, segundo o INDEC. Isso representa uma queda de mais de 24 pontos percentuais em aproximadamente um ano e meio.

4. Os argentinos aprovam o governo Milei?

Os índices de aprovação variaram bastante. Em janeiro de 2026, 54% aprovavam o governo, segundo a consultora Poliarquía. Já em março e abril de 2026, a aprovação caiu para entre 33% e 38%, com mais de 59% de desaprovação em diferentes pesquisas — refletindo o desgaste da população que ainda não sente a melhora econômica em seu dia a dia.

5. Os argentinos querem reeleger Milei?

O cenário é dividido. Em pesquisa da consultora Tendências de março de 2026, Milei liderava as intenções de voto para 2027 com 38%. Porém, pesquisa da Zuban & Córdoba de abril de 2026 mostrou que 60,7% dos argentinos dizem que não votariam em Milei para um segundo mandato. O presidente ainda mantém um núcleo fiel de apoiadores, mas enfrenta crescente resistência.

6. O que foi a política da “motosserra” de Milei?

A expressão “motosserra” virou símbolo do programa de ajuste fiscal radical de Milei, que incluiu corte de cerca de 60.000 empregos públicos, redução de subsídios, congelamento de orçamentos em saúde, educação e ciência, privatização de empresas estatais e a proibição de emitir dinheiro para financiar o governo. O objetivo era zerar o déficit público — o que foi alcançado pelo segundo ano consecutivo em 2025.

7. A Argentina tem superávit fiscal?

Sim. A Argentina registrou superávit primário de 1,4% do PIB em 2025 — o segundo ano consecutivo de resultado positivo. Isso não ocorria desde 2008, e o resultado foi celebrado pelo ministro da Economia Luis Caputo como prova da viabilidade da política de “déficit zero”.

8. Qual é a relação comercial entre Argentina e China?

Em 2024, o comércio bilateral entre Argentina e China atingiu US$ 16,35 bilhões — praticamente empatado com o volume entre Argentina e EUA (US$ 16,2 bilhões). A China é um dos principais compradores de soja e carne argentina. Apesar disso, Milei cancelou acordos de segurança firmados com Pequim durante governos anteriores e prioriza ideologicamente a aproximação com os Estados Unidos de Donald Trump.

📚 Referências

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