🎯 Como Sobreviver ao Bullying: A Visão de Quem Já Passou Por Isso — Parte II
Existem duas formas de falar sobre bullying: a do especialista, que analisa dados, leis e teorias pedagógicas — e a de quem acordou de manhã sem querer ir à escola porque sabia que aquela pessoa estaria lá. Este artigo é a Parte II da nossa série e traz exatamente isso: a visão de quem viveu o bullying por dentro, sentiu o peso no peito e encontrou formas reais de sobreviver. Se você está passando por isso agora, este texto foi escrito para você.
Não leu a Parte I? Confira: Bullying na Escola: O Que Mario Sergio Cortella Diz Sobre o Papel da Educação — Parte I
💬 A Voz de Bruna: “Eu Sei Como Vocês Se Sentem”
No canal Brubs, a youtuber Bruna — conhecida carinhosamente como “Proobs” por seus seguidores — abre o coração sobre sua própria experiência com o bullying e oferece dicas práticas, honestas e sem filtro para quem está passando pela mesma situação.
O vídeo “Como Sobreviver ao Bullying” acumula quase 1 milhão de visualizações — e não é por acaso. O que Bruna entrega não é uma palestra distante ou um manual frio. É a fala de alguém que conhece de perto aquela sensação de alívio quando o agressor falta — e o peso de saber que no dia seguinte ele vai estar lá de novo.
“Eu sei como é horrível você acordar todo dia e não ter a mínima vontade de ir pra escola por conta de uma única pessoa que faz da sua vida um inferno lá.” — Bruna, canal Brubs
Esse relato, simples e direto, resume algo que dados e estatísticas raramente conseguem transmitir: o bullying não é só um problema escolar. É um peso diário, emocional e exaustivo, que afeta a saúde mental, a motivação e até a identidade de quem o sofre.
🔍 O Que É Bullying, de Verdade?
Antes das dicas, Bruna define o que é bullying com clareza: é quando uma pessoa ou grupo decide humilhar, perseguir e agredir — física ou mentalmente — outra pessoa de forma sistemática, tratando-a como inferior para se sentir superior.
Ela destaca algo importante: o bullying acontece com todos, independentemente de idade ou gênero. A forma pode variar:
- 🎯 Com meninas, tende a ser mais mental e social — fofocas, exclusão, cochicho
- 🎯 Com meninos, pode ser mais físico — empurrões, agressões
- 🎯 Mas isso não é regra — qualquer pessoa pode sofrer qualquer tipo de bullying
- 🎯 O cyberbullying cresce como modalidade e atinge todas as faixas etárias
- 🎯 Quem pratica bullying quase sempre age por insegurança ou pressão interna
Compreender de onde vem o comportamento do agressor não significa desculpá-lo. Significa entender a dinâmica para reagir com mais inteligência.
💻 Cyberbullying: Como Lidar Com o Agressor Online
Bruna dedica uma parte importante do vídeo ao cyberbullying — e suas dicas são práticas, diretas e eficazes:
- 💻 Bloquear é uma opção válida — e não é fraqueza. Se a pessoa te perturba online, cortar o contato é a solução mais rápida
- 💻 Silenciar é outra alternativa — você não vê os comentários, mas o agressor também não recebe a satisfação do bloqueio
- 💻 Salvar provas — prints de mensagens, comentários e ameaças são fundamentais antes de qualquer denúncia
- 💻 Denunciar à polícia — quando há ameaças, chantagens ou exposição de dados pessoais, isso é crime. A polícia cibernética pode rastrear até contas apagadas
- 💻 Não importa se é conta falsa — a polícia possui recursos técnicos para identificar o agressor mesmo sem nome real
E aqui vem um aviso importante que Bruna faz com seriedade: se você é menor de idade e pratica cyberbullying, saiba que a polícia pode chegar na porta da sua casa. Aquele comentário “só pra zoar” pode ter consequências legais reais.
O cyberbullying se conecta diretamente com como usamos a tecnologia no ambiente escolar. Para entender mais sobre esse universo digital que os adolescentes habitam, vale a leitura de: Tecnologia na Sala de Aula: Como Desenvolver o Letramento Digital dos Alunos com Segurança e Propósito.
🏫 Bullying Presencial: A Regra das Três Chances
Quando o bullying é na vida real, as coisas ficam mais complexas. Você não tem como “bloquear” alguém que está na sua frente todo dia. Bruna apresenta uma estratégia prática que ela chama de Regra das Três Chances — e é provavelmente o conselho mais útil de todo o vídeo.
🎯 Chance 1: Comunique diretamente ao agressor
Vire para a pessoa e diga que não está gostando do que está acontecendo. Muitos agressores agem para chamar atenção — negativa ou positiva. Ignorar completamente também pode funcionar, já que ao perder o público, a pessoa pode parar. Tente primeiro esse caminho.
🎯 Chance 2: Leve a um responsável da escola
Se ignorar ou comunicar não funcionou, leve o problema a um professor ou diretor. Aqui pode acontecer o melhor ou o pior: a sorte de ser ouvido e ter o problema resolvido — ou a decepção de ser ignorado. Infelizmente, como a própria Bruna reconhece, muitas escolas preferem fechar os olhos a tomar medidas que “sujem o nome da instituição”.
🎯 Chance 3: Peça apoio de um responsável adulto
Quando a escola falha, é hora de levar um familiar — pai, mãe, avô, irmão mais velho — até a instituição. Um adulto externo pressionando por uma reunião com os responsáveis de ambos os lados muda a dinâmica. A escola tende a agir quando sente que o caso vai “sair dos muros”.
Esse processo de escalonamento — primeiro você, depois a escola, depois um adulto — cumpre uma função muito importante: documenta sua trajetória de tentativas de resolução pacífica. Se um dia você precisar se defender fisicamente, terá histórico de que tentou de todas as formas antes.
Nesse sentido, entender como família e escola precisam trabalhar juntas é fundamental. Confira:
⚠️ Sobre a Violência: A Regra de Ouro Que Não Pode Ser Ignorada
Bruna é muito clara neste ponto — e este artigo reforça com toda a ênfase necessária:
A violência nunca deve ser a primeira resposta ao bullying.
E ela explica por quê com uma lógica que qualquer adolescente entende: em quase todas as escolas, se você revidar logo de cara, você perde a razão — mesmo sendo a vítima. A escola vai punir quem se envolveu na briga, não necessariamente quem começou. E o agressor pode até ser defendido com o argumento de que “estava brincando”.
Por isso a Regra das Três Chances existe: você constrói um histórico de tentativas de paz. Só depois de esgotar todas as opções, se o agressor vier fisicamente contra você, a legítima defesa se torna justificável — e você terá argumentos para apresentar à escola, aos pais e, se necessário, à polícia.
“Mesmo que a outra pessoa faça da sua vida um inferno, é você que perde a razão na hora que você escolhe a violência.” — Bruna, canal Brubs
Um detalhe importante que Bruna adiciona: se for necessário se defender fisicamente, faça isso de forma justa — sem usar objetos ou armas. Do contrário, toda a construção de “vítima que tentou resolver pacificamente” se desfaz imediatamente.
🚶 Mudar de Sala ou de Escola Não É Covardia
Um dos pontos mais tocantes do vídeo é quando Bruna diz diretamente: “Mudar de sala, de horário ou até de escola não é fugir. Você não é covarde por fazer isso.”
Essa afirmação precisa ser dita com mais frequência. Nossa cultura frequentemente confunde “aguentar” com “ser forte”. Mas querer o próprio bem — remover-se de um ambiente tóxico que está destruindo sua saúde mental — é um ato de coragem e autocuidado, não de fraqueza.
Se o ambiente escolar está causando sofrimento severo e as tentativas de resolução não funcionaram, mudar é uma opção legítima e saudável.
Cuidar da saúde mental nesse processo é fundamental. Veja mais sobre estratégias de bem-estar psicológico:
👨👩👧 Uma Mensagem Especial para os Pais
Bruna encerra o vídeo com um recado direto para os pais — e este artigo ecoa esse recado com toda a seriedade:
Muitas crianças e adolescentes que sofrem bullying não contam. Sentem vergonha. Acham que os pais vão minimizar (“é frescura”) ou que vão piorar a situação (“vai criar caso”). Às vezes simplesmente não sabem como colocar em palavras o que estão sentindo.
Por isso, os pais precisam estar atentos aos sinais:
- 👨👩👧 Resistência repentina em ir à escola — especialmente se a criança antes gostava
- 👨👩👧 Voltar para casa com machucados ou roupas rasgadas sem explicação clara
- 👨👩👧 Queda nas notas por desmotivação e dificuldade de concentração
- 👨👩👧 Ficar mais silencioso, retraído e distante mesmo em casa
- 👨👩👧 Evitar falar sobre a escola ou sobre os amigos
- 👨👩👧 Sintomas físicos sem causa médica aparente: dor de cabeça, dor de barriga frequente
- 👨👩👧 Tristeza persistente, choro frequente ou irritabilidade intensa
Se perceber esses sinais, não espere. Abra o diálogo, escute sem julgar e, se necessário, busque apoio profissional. A mensagem de Bruna é direta: pais, participem da vida dos seus filhos — porque um dia eles vão precisar de vocês, mesmo que não consigam pedir.
Para pais que querem entender mais sobre o que os filhos podem estar vivenciando silenciosamente, recomendamos este artigo:
💛 Para Quem Pratica o Bullying: Uma Fala Que Poucos Têm Coragem de Fazer
Um dos momentos mais surpreendentes do vídeo de Bruna é quando ela se dirige diretamente ao agressor — não com raiva, mas com empatia:
“Sinto muito por você ter esse vazio dentro de você, a ponto de, por pura insegurança ou por alguma pressão vinda de casa, você achar que tem que ser melhor do que os outros… Você merece amor e carinho.” — Bruna, canal Brubs
Essa perspectiva é respaldada pela psicologia: quem pratica bullying frequentemente está em sofrimento também. Pode ser um ambiente familiar violento, falta de autoestima, necessidade de aprovação do grupo. Isso não justifica o comportamento — mas ajuda a entendê-lo.
Se você pratica bullying ou conhece alguém que pratica, buscar apoio psicológico é um passo fundamental. O comportamento agressivo não desaparece sozinho — e as consequências legais e emocionais a longo prazo são reais.
A inteligência emocional tem papel central nessa equação. Desenvolver a capacidade de reconhecer e lidar com as próprias emoções pode mudar completamente a trajetória de uma pessoa — seja ela vítima ou agressor:
💡 Dicas Práticas para Sobreviver ao Bullying Hoje
- 💡 Não enfrente sozinho — contar para alguém de confiança é o primeiro passo mais importante
- 💡 Documente tudo — prints, fotos de machucados, datas e testemunhas são suas provas
- 💡 Siga a Regra das Três Chances — comunique, envolva a escola, depois um adulto responsável
- 💡 No cyberbullying, bloqueie ou silencie — e guarde as provas antes de apagar qualquer conversa
- 💡 Lembre-se: mudar de escola não é fraqueza — seu bem-estar vem primeiro
- 💡 Não reaja com violência como primeira opção — você perderá a razão mesmo sendo a vítima
- 💡 Procure apoio emocional — psicólogo escolar, conselho tutelar, CVV (188) se necessário
- 💡 Se há ameaça à sua vida, vá à polícia — não importa se o agressor é anônimo, a polícia consegue rastrear
📊 Comparativo: O Que o Adulto Vê vs. O Que o Adolescente Vive
| Aspecto | Visão do Adulto / Especialista (Parte I) | Visão do Adolescente (Parte II) |
|---|---|---|
| Como define o bullying | Fenômeno pedagógico e social com raízes históricas | A pessoa que torna impossível ir à escola todo dia |
| Papel da escola | Deve ter protocolos ativos e formar professores | Na prática, fecha os olhos com frequência |
| Solução principal | Projetos pedagógicos e formação socioemocional | Estratégia prática: documentar, escalar, se proteger |
| Violência física | Problema que deve ser prevenido pela escola | Legítima defesa como último recurso, com histórico de tentativas |
| Tom da mensagem | Analítico, pedagógico, fundamentado em dados | Empático, direto, baseado em experiência vivida |
| Sobre o agressor | Produto de uma cultura que tolera humilhação | Alguém com vazio interno que merece ajuda também |
Outro aspecto importante que conecta as duas partes desta série é o quanto a leitura, as artes e atividades criativas ajudam na construção de identidade e resiliência de crianças e jovens. Confira: A Importância das Artes no Processo Educativo e Leitura na Infância: Por Que Começa em Casa.
📢 Este Conteúdo Pode Salvar Alguém
Se você chegou até aqui, compartilhe este artigo. Mande para aquele amigo que parece diferente ultimamente. Para o grupo de pais da escola. Para o professor que você sabe que se importa. O bullying prospera no silêncio — e cada conversa aberta é um tijolo a menos nessa parede.
Deixe seu comentário abaixo: você já passou por isso? Qual estratégia funcionou para você? Sua experiência pode ser exatamente o que alguém precisa ler hoje.
🌟 Conclusão: Você É Forte o Suficiente para Passar Por Isso
Bruna termina seu vídeo com uma frase que vale mais do que qualquer estatística: “Eu sei que você é forte para passar por esse momento de dificuldade e seguir em frente.” E é verdade. O bullying é devastador — mas não é definitivo. Cada pessoa que passou por isso e encontrou seu caminho é prova viva de que é possível superar.
A diferença entre a Parte I e a Parte II desta série não é de importância — é de perspectiva. O especialista enxerga o sistema. O adolescente enxerga a dor. Precisamos das duas visões para construir escolas e famílias que realmente protejam quem mais precisa.
Se você é jovem e está lendo isso: você não está sozinho. Peça ajuda. Use as estratégias. Denuncie. Cuide-se. E saiba que o que você está vivendo hoje não define quem você vai ser amanhã. A educação — dentro e fora da escola — é o caminho que transforma vidas. E a sua vida merece ser transformada para melhor.
❓ Perguntas Frequentes sobre Como Sobreviver ao Bullying
1. 🎯 O que é a Regra das Três Chances?
É uma estratégia prática sugerida pela youtuber Bruna (canal Brubs) para lidar com o bullying presencial: primeiro, comunicar ao agressor que o comportamento não é aceito; segundo, levar o problema a um responsável da escola; terceiro, pedir que um adulto familiar vá até a escola pressionar por uma solução. Só após essas três tentativas, e se houver agressão física, a legítima defesa se torna justificável.
2. 💻 O que fazer se estou sofrendo cyberbullying?
As opções imediatas são bloquear ou silenciar o agressor — ambas válidas. O mais importante é guardar provas (prints) antes de qualquer ação. Se houver ameaças, chantagem ou exposição de dados pessoais, é preciso denunciar à polícia cibernética. Mesmo contas anônimas ou apagadas podem ser rastreadas pelas autoridades.
3. 💛 Mudar de escola por causa de bullying é covardia?
Não. Mudar de sala, de turno ou de escola é uma escolha legítima de autocuidado. Como bem afirma Bruna no vídeo: “Você não é covarde por fazer isso. Não é covardia você querer o seu próprio bem.” Preservar a saúde mental é prioridade.
4. ⚠️ Posso me defender fisicamente do meu agressor?
Apenas como último recurso — após tentar resolver por todas as vias pacíficas sem sucesso. A legítima defesa é o único contexto em que o uso da força é eticamente justificável. Reagir na primeira provocação pode resultar em punição para você, mesmo sendo a vítima. A violência jamais deve ser a primeira ou única opção.
5. 👨👩👧 Quais são os sinais de que meu filho está sofrendo bullying?
Resistência repentina em ir à escola, queda nas notas, isolamento em casa, machucados sem explicação, tristeza persistente e sintomas físicos recorrentes (dor de cabeça, dor de barriga) sem causa aparente são os principais sinais de alerta. Muitas crianças não contam por vergonha — por isso a atenção dos pais é fundamental.
6. 🧠 Por que quem pratica bullying age assim?
Na maioria dos casos, o agressor age movido por insegurança, falta de autoestima, pressão do grupo social ou problemas no ambiente familiar. Isso não justifica o comportamento, mas ajuda a entendê-lo. O agressor também pode precisar de apoio psicológico para romper esse ciclo.
7. 📋 Bullying é crime no Brasil?
Sim. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o bullying e o cyberbullying como crimes no Código Penal brasileiro. Além disso, a Lei nº 13.185/2015 já instituía o Programa de Combate à Intimidação Sistemática nas escolas. Vítimas e familiares podem denunciar casos às autoridades escolares, ao Conselho Tutelar ou diretamente à polícia.
8. 📞 Onde buscar ajuda em casos graves de bullying?
Em casos de risco à vida ou sofrimento psicológico severo, os principais recursos são: CVV — Centro de Valorização da Vida (ligue 188, 24 horas); Conselho Tutelar do seu município; Delegacias de Crimes Cibernéticos para casos online; e psicólogos escolares, garantidos pela Lei nº 13.935/2019 nas escolas públicas.
📚 Referências
- Canal Brubs (Bruna) — Como Sobreviver ao Bullying (YouTube, 2025)
- Ministério da Educação (MEC) — Portal Oficial
- CVV — Centro de Valorização da Vida (Ligue 188)
- Lei nº 14.811/2024 — Como a nova lei anti-bullying impacta a comunidade escolar
- FAPESP — Agressões e bullying triplicam nas escolas do Brasil (2025)
- IPEA — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada | Atlas da Violência 2024







