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Bullying Sempre Existiu, Mas a Escola Pode Fazer Diferença — Cortella Explica — Parte I, Na Visão de um Especialista

🏫 Bullying na Escola: O Que Mario Sergio Cortella Diz Sobre o Papel da Educação no Combate à Violência

O bullying escolar não é um problema novo — mas nunca foi tão urgente quanto hoje. Com a amplificação das redes sociais, a humilhação que antes ficava circunscrita a um grupo pequeno agora pode alcançar milhares de pessoas em segundos. Neste artigo, exploramos a visão profissional e pedagógica sobre o tema: o que dizem especialistas como Mario Sergio Cortella, o que os dados oficiais revelam e qual é, de fato, o papel que a escola deve assumir nesse combate. Esta é a Parte I — a perspectiva do adulto, do educador e do especialista.

https://www.youtube.com/watch?v=0uiZBwUimDI?t=0

🎓 O Que Cortella Diz: O Bullying Sempre Existiu, Mas Algo Mudou

No canal Canal do Cortella, Mario Sergio Cortella e seu filho Pedro Cortella debatem com clareza e profundidade o fenômeno do bullying. Para o filósofo e educador, o bullying em si não é uma invenção recente — ele relembra que desde a infância existia o “boleiro”, o apelido maldoso, a zombaria pelo óculos ou pelo aparelho nos dentes.

O que mudou radicalmente, segundo Cortella, é a escala e a publicização do fenômeno. Antes, a humilhação ficava restrita a um grupo menor — uma sala de aula, um corredor, um pátio. Hoje, com as redes sociais, um episódio de bullying pode ser compartilhado, curtido, comentado e amplificado para centenas ou milhares de pessoas em questão de minutos.

Essa exposição em larga escala é o que transforma o bullying contemporâneo em uma ferida mais profunda e de mais difícil cicatrização. A criança ou o adolescente que sofre bullying hoje não tem para onde correr — a humilhação o persegue nas redes, nos grupos de WhatsApp, nas stories do Instagram.

“O bullying sempre teve presença. O que não tinha e não produzia efeito danoso era que ele ficava circunscrito a um grupo menor.” — Mario Sergio Cortella

📊 O Que os Dados Revelam: Uma Crise de Saúde Mental nas Escolas

Os números apresentados na própria conversa entre pai e filho são alarmantes — e confirmados por fontes oficiais. Um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, entre 2016 e 2021, a taxa de suicídio cresceu 45% na faixa de 10 a 14 anos e 49,3% na faixa de 15 a 19 anos.

Dados mais recentes reforçam o alerta. Segundo análise da FAPESP divulgada em 2025, as agressões e episódios de bullying nas escolas brasileiras triplicaram entre 2013 e 2023 — de 3.771 para 13.117 vítimas registradas. Entre as ocorrências de 2023, em 2.200 casos houve violência autoprovocada, incluindo automutilação e tentativas de suicídio — número 95 vezes maior do que uma década antes.

O Atlas da Violência 2024, publicado pelo Ipea, aponta que a proporção de estudantes que relatou episódios de bullying saltou de 30,9% em 2009 para 40,5% em 2019. E o percentual de alunos do ensino fundamental que deixou de ir à escola por se sentir inseguro dobrou no mesmo período: de 5,4% para 11,4%.

Esses dados revelam que a escola não é apenas palco do bullying — ela também pode ser o lugar da solução. Mas para isso, precisa agir de forma ativa e estruturada.

Falar de saúde emocional das crianças nos remete também ao quanto o ambiente familiar e escolar se conectam. Leia também: Família e Escola: Como Essa Parceria Define o Futuro do Seu Filho.

🏛️ O Papel Ativo da Escola: Muito Além do Conteúdo Pedagógico

Cortella é preciso em sua análise: a escola não pode ignorar as dores que crianças e jovens carregam. Colocar o sofrimento emocional dos alunos em “plano secundário” é um erro que custa caro — não apenas para o indivíduo, mas para toda a sociedade.

A escola é, segundo ele, o principal ponto de contato entre crianças fora do ambiente familiar. É o lugar que as famílias autorizam que seus filhos frequentem sem supervisão direta. E é exatamente por isso que ela se torna o palco central onde o bullying acontece — e onde ele pode ser combatido.

Mas o que significa “papel ativo”? Significa que a escola não pode se limitar a transmitir conteúdo curricular. Ela precisa:

  • 🏫 Criar espaços seguros de escuta para estudantes
  • 🏫 Capacitar professores para identificar sinais de bullying
  • 🏫 Desenvolver projetos pedagógicos que incluam habilidades socioemocionais
  • 🏫 Envolver a família no processo de identificação e resolução
  • 🏫 Agir com protocolos claros quando um caso for identificado
  • 🏫 Não punir isoladamente — mas educar o agressor e apoiar a vítima

A Lei nº 14.811/2024, sancionada em janeiro de 2024, tipificou o bullying e o cyberbullying como crimes no Código Penal brasileiro — reforçando a responsabilidade legal das escolas no combate ao fenômeno. A lei é complementar à Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática.

Mas a lei sozinha não resolve. Como bem aponta Cortella, é preciso que a escola tenha uma convicção pedagógica — não apenas um protocolo burocrático.

📚 Educação Emancipatória: O Conceito que Muda Tudo

No vídeo, Cortella retoma os ensinamentos de Paulo Freire para fundamentar sua visão sobre educação. O conceito de “educação bancária” — em que o professor deposita conteúdo num aluno passivo, como numa conta — é exatamente o modelo que falha diante do bullying.

Uma educação verdadeiramente emancipatória, no sentido freiriano, é aquela que enxerga o aluno como um ser com dúvidas, sonhos, emoções e experiências. O professor, nessa visão, não está acima nem abaixo — está ao lado, acompanhando.

Esse modelo pedagógico tem uma relação direta com a prevenção do bullying: quando o aluno se sente visto, ouvido e respeitado, as dinâmicas de humilhação e exclusão têm menos espaço para florescer.

Nesse contexto, a inteligência emocional dos estudantes se torna um componente essencial da formação escolar. Veja mais sobre isso neste artigo do Brasil Ideal:

Inteligência Emocional na Educação

🧩 O Trote, o Calouro e a Origem Medieval da Violência Escolar

Cortella vai ainda mais fundo na história ao explicar a origem do trote universitário — a palavra vem do alemão trota, que significa “cavalgar” ou “sair correndo”. O ritual de humilhação do calouro é medieval, literalmente. O veterano subjugando o recém-chegado é uma tradição que atravessa séculos.

Isso não é dito para naturalizar o bullying, mas para balizá-lo com precisão: entender de onde vem o problema ajuda a combatê-lo com mais eficácia. A novidade não é a crueldade humana em ambientes escolares — a novidade é a escala, a velocidade e a permanência que as redes digitais conferiram a essa crueldade.

E é justamente aí que entra o desafio do educador contemporâneo: preparar-se para um mundo em que uma criança chega à sala de aula carregando no bolso um dispositivo capaz de expô-la — ou de ser usada para expor outros — globalmente.

Entender como a tecnologia está transformando o papel dos educadores é fundamental. Confira: EdTech e IA no Ensino: Como Escolas Podem Evoluir Sem Perder Qualidade.

👩‍🏫 O Que a Escola Precisa Fazer na Prática: Formação de Professores e Projetos Pedagógicos

Uma das críticas centrais de Cortella é que as boas intenções pedagógicas precisam ser sustentadas por estrutura real: horas remuneradas de formação continuada, projetos interdisciplinares, autonomia para o professor agir e colaboração entre escola, família e poder público.

Ele relembra experiências que vivenciou à frente da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, onde escolas da zona sul da capital adotavam projetos anuais temáticos — como proteção ambiental e destino do lixo — integrando matemática, física, biologia, história e língua estrangeira em torno de um objetivo concreto.

Esse modelo, chamado de educação por projetos, tem raízes no movimento Escola Nova dos anos 1930, com nomes como Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo. E é justamente esse tipo de metodologia que cria vínculos, desenvolve empatia e reduz os ambientes propícios ao bullying.

Professores que trabalham em projetos colaborativos constroem relações mais próximas com os alunos — e alunos que se sentem parte de algo maior têm menos tendência a excluir ou atacar os colegas.

Professor: a profissão mais importante do mundo

⚠️ Atenção Especial: Violência Nunca é a Solução

Antes de prosseguir, é fundamental registrar um ponto que qualquer debate sério sobre bullying precisa contemplar: a violência não é — e jamais deve ser — a resposta ao bullying.

Reagir com agressão física pode transformar a vítima em agressor, agravar a situação e criar novas vítimas. A única exceção reconhecida eticamente e juridicamente é a legítima defesa — quando a pessoa é diretamente atacada e não possui outra alternativa imediata.

A resposta estruturada, sustentada e eficaz ao bullying passa pelo diálogo, pela denúncia, pelo apoio institucional e pelo envolvimento da família. Nunca pelo revide violento.

Este artigo é a Parte I da série. Em breve, publicaremos a Parte II — a visão do adolescente: o que a criança que sofre bullying sente, vê e enfrenta, muitas vezes de forma completamente diferente do que os adultos ao seu redor imaginam.

💡 Dicas Práticas para Pais, Educadores e Gestores Escolares

  • 💡 Crie canais anônimos de denúncia dentro da escola — muitas vítimas não falam por medo de represália
  • 💡 Observe mudanças de comportamento nos filhos: isolamento, recusa em ir à escola, tristeza persistente e queda no rendimento são sinais de alerta
  • 💡 Não minimize: expressões como “é brincadeira” ou “isso é coisa de criança” invalidam a dor da vítima
  • 💡 Converse com a escola — exija saber quais protocolos existem para tratar casos de bullying
  • 💡 Ensine seus filhos a pedir ajuda: nem sempre a criança sabe que o que acontece com ela tem nome e que ela pode e deve denunciar
  • 💡 Busque apoio psicológico: a Lei nº 13.935/2019 prevê psicólogos e assistentes sociais nas escolas públicas — acione esse recurso
  • 💡 Educadores devem participar de formações continuadas sobre saúde mental, mediação de conflitos e identificação de casos de bullying
  • 💡 Cuide da saúde mental da criança como parte da educação integral — não apenas do desempenho acadêmico

📋 Comparativo: Bullying Antes e Depois das Redes Sociais

AspectoBullying TradicionalBullying na Era Digital
AlcanceLimitado ao grupo próximo (sala, pátio)Potencialmente ilimitado (redes sociais, grupos)
DuraçãoCircunscrito ao espaço e ao tempo escolarPermanente — conteúdo pode ser arquivado e reenviado
AnonimatoGeralmente o agressor é identificadoPode ser anônimo — dificulta identificação e punição
Impacto psicológicoSério, mas com possibilidade de “esquecer”Potencialmente devastador — sem espaço de fuga
Resposta legalPouco tipificada juridicamenteLei nº 14.811/2024 tipifica como crime no CP
Papel da escolaFrequentemente ignorado ou minimizadoCada vez mais exigido — inclusive legalmente

Se o tema da saúde mental e do bem-estar emocional dos jovens é uma preocupação sua, também recomendamos a leitura: Redobre a Atenção — O Que o Seu Filho Pode Estar Passando e o Que os Estudos Apontam.

E para quem deseja entender como a arte e as atividades criativas ajudam no desenvolvimento emocional dos alunos, vale conferir: A Importância das Artes no Processo Educativo.

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Compartilhe com outros pais, educadores e gestores escolares. O debate sobre bullying precisa sair das manchetes e entrar de vez nas salas dos professores, nas reuniões pedagógicas e nas conversas em família. Deixe seu comentário abaixo — sua experiência pode ajudar outras pessoas. E fique de olho na Parte II desta série, em que abordaremos o bullying sob a perspectiva do adolescente — o que a criança vê, sente e silencia.

🌟 Conclusão: A Escola que Transforma Não Fecha os Olhos para a Dor

Mario Sergio Cortella nos lembra que educar não é apenas transmitir conhecimento — é formar seres humanos capazes de viver em sociedade com empatia, responsabilidade e dignidade. Uma escola que ignora o sofrimento dos seus alunos falha nessa missão fundamental, independentemente de quantas matérias lecione ou de quantas provas aplique.

O bullying é um sintoma de algo maior: de uma cultura que ainda tolera a humilhação como forma de hierarquia, que confunde crueldade com brincadeira e que coloca o desempenho acadêmico acima do bem-estar emocional. Combatê-lo exige coragem pedagógica — e isso começa com adultos dispostos a enxergar além das notas e das faltas.

A educação que transforma vidas é aquela que acompanha, que escuta, que não abandona ninguém no corredor escuro da exclusão. Que a escola seja, para cada criança e adolescente, um lugar de pertencimento — e não de medo. Esse é o Brasil que queremos construir juntos.

❓ Perguntas Frequentes sobre Bullying Escolar

1. 🏫 O bullying é um fenômeno novo ou sempre existiu?

O bullying sempre existiu em alguma forma — apelidos, exclusão, humilhações. O que mudou foi a escala e a exposição, ampliadas pelas redes sociais. Como aponta Mario Sergio Cortella, antes o fenômeno ficava circunscrito a grupos menores. Hoje, pode atingir milhares de pessoas em segundos.

2. 📋 A escola tem obrigação legal de combater o bullying?

Sim. A Lei nº 13.185/2015 institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática nas escolas. A Lei nº 14.811/2024 foi além e tipificou o bullying e o cyberbullying como crimes no Código Penal brasileiro, reforçando a responsabilidade das instituições de ensino.

3. 📊 Quais são os dados mais recentes sobre bullying no Brasil?

Segundo análise da FAPESP divulgada em 2025, os casos de bullying nas escolas brasileiras triplicaram entre 2013 e 2023. O Atlas da Violência 2024 aponta que 40,5% dos estudantes relataram episódios de bullying em 2019, ante 30,9% em 2009. Os dados de suicídio entre adolescentes também cresceram de forma preocupante no mesmo período.

4. 🧠 Qual é o impacto do bullying na saúde mental dos jovens?

O impacto pode ser devastador e duradouro: ansiedade, depressão, queda no desempenho escolar, isolamento social, automutilação e, nos casos mais graves, suicídio. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de suicídio entre 10 e 19 anos cresceu entre 45% e 49% entre 2016 e 2021 no Brasil.

5. 👩‍🏫 Como o professor pode identificar um aluno que sofre bullying?

Sinais de alerta incluem: mudança repentina de comportamento, recusa em ir à escola, tristeza persistente, isolamento dos colegas, queda nas notas, marcas físicas inexplicadas e ansiedade. O professor que conhece seus alunos de forma próxima tem muito mais condições de identificar esses padrões precocemente.

6. 🤝 Qual é o papel dos pais no combate ao bullying?

Os pais têm papel fundamental. Precisam manter o diálogo aberto com os filhos, observar mudanças de comportamento, não minimizar relatos de sofrimento, acionar a escola quando necessário e buscar apoio psicológico. A parceria entre família e escola é o eixo mais poderoso na prevenção e enfrentamento do bullying.

7. ⚠️ Reagir com violência é uma solução para o bullying?

Não. A violência nunca deve ser a resposta ao bullying. Reagir fisicamente pode agravar a situação, transformar a vítima em agressor e gerar novas consequências legais e emocionais. A única exceção ética e jurídica é a legítima defesa em situação de ataque direto. O caminho estrutural passa pelo diálogo, pela denúncia e pelo suporte institucional.

8. 🌐 O cyberbullying é diferente do bullying presencial?

Sim, em aspectos importantes. O cyberbullying tem alcance ilimitado, pode ser anônimo e é permanente — o conteúdo pode ser arquivado, reenviado e ressurgir a qualquer momento. Isso torna o impacto psicológico ainda mais intenso, pois a vítima não tem “refúgio” fora da escola. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como crime específico no Brasil.

📚 Referências

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