Uma alternativa humanitária para evitar guerra civil e êxodo em massa
A crise venezuelana entrou em uma nova fase após a queda de Nicolás Maduro, mas a instabilidade política continua. Com disputas de legitimidade, risco de conflito interno e milhões de cidadãos afetados, surge uma proposta inédita: dois governos simultâneos como solução humanitária, pacífica e democrática para reconstruir o país sem guerra civil nem perseguições.
A queda de Maduro não encerrou a crise venezuelana
A captura de Nicolás Maduro foi recebida com comemorações em várias cidades da Venezuela e também por comunidades venezuelanas espalhadas pelo mundo. Para muitos, aquele momento simbolizou o fim de décadas de autoritarismo, repressão política, colapso econômico e um dos maiores êxodos humanitários da história recente da América Latina.
No entanto, como analisado anteriormente pelo Brasil Ideal, a retirada de Maduro do poder não significou automaticamente o fim do regime chavista nem trouxe clareza sobre o futuro político do país. A permanência de figuras centrais do antigo governo, como a vice-presidente Delcy Rodríguez, levantou dúvidas legítimas sobre a real natureza dessa transição.
👉 Referência interna:
https://brasilideal.com.br/finalmente-o-maduro-foi-preso-e-o-povo-venezuelano-pode-respirar-em-liberdade-depois-de-muitos-anos/
👉 Análise complementar:
https://brasilideal.com.br/venezuela-o-regime-chavista-continua-analise-da-captura-de-maduro-e-a-nova-lideranca-interina/
O cenário atual é de instabilidade, com diferentes atores reivindicando legitimidade, parte da população desconfiada e a comunidade internacional observando com cautela.
O risco real: conflito interno e nova onda migratória
A história recente mostra que transições políticas mal conduzidas em países profundamente polarizados costumam resultar em:
- Conflitos internos armados
- Perseguições políticas
- Colapso institucional
- Aumento da pobreza
- Êxodo em massa da população civil
Segundo dados da ONU, mais de 7 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos, pressionando sistemas de saúde, educação e emprego em países vizinhos como Brasil, Colômbia e Peru.
Repetir esse ciclo seria um desastre humanitário ainda maior.
Venezuela com dois governos simultâneos: uma proposta fora da caixa
Diante desse impasse, surge uma alternativa radical, porém pragmática: a coexistência de dois governos dentro do mesmo país, cada um administrando regiões onde possui apoio majoritário.
Essa ideia não nasce do improviso. Ela já foi apresentada como exercício político no Brasil no artigo:
👉 E se o Brasil tivesse dois presidentes?
https://brasilideal.com.br/e-se-o-brasil-tivesse-2-presidentes/
Aplicada à Venezuela, essa proposta ganha ainda mais relevância por se tratar de um país:
- Profundamente polarizado
- Com histórico de repressão
- Com instituições fragilizadas
- Com população exausta e empobrecida
Como funcionaria esse modelo na Venezuela, na prática?
Dois governos, um país
A Venezuela permaneceria uma única nação, com:
- Uma só bandeira
- Um só território
- Uma só soberania internacional
A diferença estaria na administração política interna.
- Regiões majoritariamente chavistas poderiam ser governadas por um bloco alinhado a Delcy Rodríguez.
- Regiões opositoras poderiam ser administradas por um governo representado por María Corina Machado ou Edmundo González.
Livre circulação e direito de escolha
Um dos pilares mais humanitários do modelo é a liberdade total de circulação.
- Nenhum cidadão seria expulso de sua região
- Quem não concordasse com o governo local poderia se mudar dentro do próprio país
- O direito à cidadania venezuelana seria preservado
Isso elimina o principal fator do êxodo: a necessidade de fugir para sobreviver.
O papel das Forças Armadas: mediador, não governante
Um dos pontos mais sensíveis da política venezuelana sempre foi o controle das Forças Armadas.
Nesse modelo:
- As Forças Armadas seriam institucionalmente independentes
- Não responderiam a nenhum dos dois governos
- Atuariam como garantidoras da paz interna
Suas funções seriam claras:
- Impedir conflitos armados entre os blocos
- Evitar golpes de Estado
- Proteger direitos civis
- Garantir a integridade territorial
Com o uso da força fora de cogitação, o conflito deixa de ser militar e passa a ser administrativo.
Disputa por resultados, não por narrativas
Sem armas, sem perseguições e sem propaganda estatal forçada, o único caminho para um governo se fortalecer seria entregar resultados reais.
Exemplos de métricas comparáveis:
- Segurança pública
- Inflação e custo de vida
- Geração de empregos
- Serviços de saúde
- Educação
- Liberdade econômica
O governo que demonstrasse maior capacidade de melhorar a vida da população naturalmente atrairia mais apoio, mais migração interna e maior legitimidade política.
Resultado inevitável:
O modelo mais eficiente cresceria democraticamente, enquanto o menos eficiente perderia relevância — sem necessidade de guerra, censura ou repressão.
Eleições continuam existindo: governos crescem ou encolhem conforme os resultados
Um dos pilares fundamentais desse modelo é a manutenção das eleições democráticas. Diferente do que muitos poderiam imaginar, a coexistência de dois governos não elimina o voto — pelo contrário, fortalece o poder de escolha da população.
A Venezuela é composta por 23 Estados, além do Distrito Capital, onde está Caracas. Em cada ciclo eleitoral, esses Estados continuariam votando normalmente, e o resultado das urnas definiria qual governo administraria cada região no período seguinte.
Isso significa que nenhum governo teria poder garantido ou permanente. Ao final de cada mandato, os Estados poderiam mudar de administração, migrando de um bloco para o outro de acordo com a avaliação prática da população. Se um governo entregasse mais segurança, mais empregos, melhor qualidade de vida e maior estabilidade econômica, ele naturalmente conquistaria mais Estados. Se fracassasse, perderia território político.
Pela primeira vez, o eleitor teria uma comparação real e concreta entre dois modelos de gestão funcionando simultaneamente dentro do mesmo país. A decisão deixaria de ser baseada apenas em promessas, narrativas ou discursos ideológicos, passando a se apoiar em resultados visíveis e mensuráveis.
Além disso, o cidadão não ficaria refém de uma escolha feita a cada quatro ou seis anos. Caso discordasse do rumo adotado pelo governo de seu Estado, teria duas alternativas legítimas e pacíficas: aguardar a próxima eleição para votar pela mudança ou mudar-se para outro Estado governado pelo modelo que considera mais justo, mais seguro ou mais eficiente, sem precisar abandonar o país.
Esse mecanismo cria um sistema político autorregulável, no qual os governos são constantemente pressionados a entregar resultados concretos. A permanência no poder deixa de depender de controle institucional, força militar ou repressão, e passa a depender exclusivamente da aprovação popular.
Se, ao longo do tempo, um dos governos conseguir vencer eleições em todos os Estados, isso significará algo inédito: não a derrota forçada da oposição, mas a construção de um consenso nacional, baseado na experiência prática da população. Nesse cenário, a oposição se tornaria residual ou se reinventaria, e o país poderia voltar a ser governado de forma unificada — agora com legitimidade quase total.
Trata-se, portanto, de um modelo que transforma a política em uma disputa permanente por eficiência, onde o verdadeiro vencedor não é um partido ou uma ideologia, mas o povo venezuelano.
O maior ganho imediato: o fim do êxodo venezuelano
Talvez o maior benefício desse modelo seja imediato.
Com a possibilidade de escolher onde viver dentro do próprio país, milhões de venezuelanos não precisariam mais:
- Cruzar fronteiras ilegalmente
- Arriscar a vida em rotas migratórias
- Viver como refugiados
A Venezuela deixaria de exportar sua crise humanitária e começaria a reconstruir seu capital humano internamente.
Tabela – Comparação entre o modelo tradicional e o modelo de dois governos
| Aspecto | Modelo Tradicional | Dois Governos Simultâneos |
|---|---|---|
| Polarização | Alta e permanente | Canalizada para comparação |
| Risco de guerra civil | Elevado | Quase nulo |
| Êxodo populacional | Alto | Reduzido drasticamente |
| Disputa política | Ideológica | Baseada em resultados |
| Direitos civis | Instáveis | Protegidos por mediação militar |
Críticas comuns e respostas objetivas
“Isso dividiria o país”
Não. O país permanece unido territorialmente e institucionalmente. O que muda é a forma de governar.
“É impossível funcionar”
Sistemas federativos complexos já existem no mundo. O que falta não é viabilidade, mas vontade política.
“Um governo tentaria dominar o outro”
A independência das Forças Armadas e regras constitucionais claras impedem esse cenário.
Conclusão: quando a paz vence a ideologia
A Venezuela não precisa escolher entre chavismo ou oposição como se fosse uma guerra existencial.
Talvez a verdadeira solução seja permitir que ambos governem, sob regras claras, sem armas, sem perseguições e sem mentiras.
Quando a política vira competição por resultados, quem vence é o povo.
E se um dia um único governo voltar a comandar todo o país, que seja por consenso, não por imposição.
CTA – Participe do debate
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FAQ – Perguntas frequentes
Esse modelo já existe em algum país?
Não exatamente, o que o torna inovador. Mas ele se inspira em sistemas federativos e mecanismos de transição política.
Os dois governos teriam presidentes reconhecidos internacionalmente?
Inicialmente, sim, como governos regionais sob um Estado soberano único.
Isso acabaria com eleições?
Não. Pelo contrário, criaria eleições mais justas e baseadas em desempenho real.
Referências
- ONU – Crise migratória venezuelana
https://www.unhcr.org/venezuela-emergency.html - Brasil Ideal – Captura de Maduro
https://brasilideal.com.br/finalmente-o-maduro-foi-preso-e-o-povo-venezuelano-pode-respirar-em-liberdade-depois-de-muitos-anos/ - Brasil Ideal – Regime chavista continua?
https://brasilideal.com.br/venezuela-o-regime-chavista-continua-analise-da-captura-de-maduro-e-a-nova-lideranca-interina/ - Brasil Ideal – Dois presidentes no Brasil
https://brasilideal.com.br/e-se-o-brasil-tivesse-2-presidentes/







