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Por que a Desoneração Defendida por Paulo Guedes é Superior à Solução do Governo Atual de Tributar o IR acima de R$ 5 Mil

A Reforma Ignorada pelo Brasil. Paulo Guedes Tinha Uma Solução Melhor

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um sistema tributário que penaliza justamente quem trabalha, produz e consome. A elevada carga sobre a folha de pagamento tornou o emprego formal caro, a renda líquida baixa e a informalidade atraente. Repensar a base de arrecadação não é uma pauta ideológica, mas uma necessidade matemática, econômica e social.

Da Proposta de Paulo Guedes a um Modelo Real de Justiça Social no Brasil

Este artigo parte de uma proposta apresentada publicamente em 2020 pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, documentada em debates, entrevistas e pronunciamentos oficiais, e avança para um modelo evoluído, que busca corrigir limitações políticas e ampliar seus efeitos positivos sobre trabalhadores, empresas e o próprio Estado.


1. O problema estrutural da tributação sobre o trabalho no Brasil

O modelo tributário brasileiro concentra grande parte da arrecadação sobre a folha de pagamento. Na prática, isso significa que:

  • o trabalhador recebe menos do que produz;
  • a empresa paga muito mais do que o salário nominal;
  • o Estado arrecada antes mesmo do dinheiro circular.

Esse sistema:

  • desestimula a formalização,
  • incentiva a informalidade,
  • reduz a competitividade das empresas,
  • empurra milhões de brasileiros para fora da proteção legal.

Não se trata de falta de arrecadação, mas de má alocação do peso tributário.


2. A proposta de Paulo Guedes: a virada de chave no debate tributário

Em julho de 2020, no auge da pandemia, o canal MyNews promoveu um debate sobre a desoneração da folha de pagamentos e a possibilidade de financiá-la por meio de um imposto de base ampla sobre transações digitais.

🔗 Fonte: Canal MyNews – YouTube

Na entrevista, o economista Rodrigo Mulinari explicou que a equipe econômica estudava ampliar a desoneração da folha, inicialmente restrita a salários mais baixos, para faixas mais amplas, ainda que de forma parcial (até cerca de 25%).
A motivação era clara: empresas estavam sufocadas, o desemprego crescia e o governo não tinha espaço fiscal devido ao teto de gastos.

A solução proposta era uma troca estrutural:

menos imposto sobre o trabalho
em troca de
uma tributação pulverizada sobre o fluxo financeiro.

Esse imposto, discutido entre 0,2% e 0,4%, buscava evitar o rótulo político da CPMF, mas mantinha sua principal virtude: base ampla, cobrança automática e baixíssimo custo de fiscalização.


3. A proposta chega ao centro do governo

Em setembro de 2020, o tema avançou institucionalmente. O canal SBT News noticiou reuniões da equipe econômica no Palácio do Planalto para discutir a reforma tributária e um novo programa social.

🔗 Fonte: Canal SBT News – YouTube

Paulo Guedes afirmou explicitamente que o objetivo era promover uma grande desoneração da folha, reinserindo milhões de brasileiros “invisíveis” no mercado formal.
O ministro Rogério Marinho chegou a defender publicamente um microimposto digital de cerca de 0,2%, que permitiria a contratação formal de trabalhadores com salários de até R$ 2.000, reduzindo custos e ampliando empregos.

A reportagem também registra a resistência política da época — ironicamente, de setores que hoje defendem aumentos tributários muito mais agressivos, sem qualquer compensação direta ao trabalhador.


4. O papel da economia digital e o fim do tabu da CPMF

Ainda em 2020, o canal General Peternelli registrou uma fala emblemática de Paulo Guedes sobre o futuro da tributação.

🔗 Fonte: Canal General Peternelli – YouTube

Guedes foi direto:
a desoneração da mão de obra é a chave da reforma tributária.

Ele explicou que o avanço do Pix e das transferências instantâneas tornaria inevitável algum tipo de tributação alinhada à economia digital, distinta da antiga CPMF, pois não dependeria de bancos nem de intermediação financeira tradicional.

O que foi a CPMF?

A CPMF era um imposto cobrado sobre movimentações bancárias, altamente visível, simples e de difícil sonegação. Tornou-se politicamente impopular não por sua lógica econômica, mas por ter sido usada como imposto adicional, e não como substituição de outros tributos — erro que a proposta de Guedes buscava corrigir.


5. Comparativo: modelo atual × proposta de Paulo Guedes

✅ Tabela de Impostos e Encargos CLT Atual X Modelo do Paulo Guedes

No Brasil, o custo de manter um empregado formal envolve descontos do salário do trabalhador e encargos pagáveis pela empresa.
Esses valores variam pela faixa salarial e pela natureza do empregador, mas os principais encargos são confirmados por guias de roteiro tributário atualizados para 2025–2026. Papaya Global+1

Comparativo CLT Atual (2026) vs. Proposta Paulo Guedes (Simulação)

Descrição do ItemResponsávelMínimo Atual (R$ 1.621)Mínimo Proposta GuedesExemplo (R$ 7.350)Exemplo Proposta Guedes
DESCONTOS DO EMPREGADO
INSS (Previdência)EmpregadoR$ 121,57R$ 121,57*R$ 857,01R$ 857,01*
IRRF (Imposto de Renda)EmpregadoIsentoIsentoR$ 344,05R$ 344,05*
Imposto Transacional (0,2%)EmpregadoR$ 0,00R$ 3,24R$ 0,00R$ 14,70
SALÁRIO LÍQUIDO FINALTrabalhadorR$ 1.499,43R$ 1.496,19R$ 6.148,94R$ 6.134,24
ENCARGOS DO EMPREGADOR
FGTS (Direito Trabalhador)EmpregadorR$ 129,68R$ 129,68R$ 588,00R$ 588,00
INSS Patronal (20%)EmpregadorR$ 324,20R$ 0,00R$ 1.470,00R$ 0,00
RAT / Sistema S / EducaçãoEmpregadorR$ 126,44R$ 126,44R$ 573,30R$ 573,30
Imposto Transacional (0,2%)EmpregadorR$ 0,00R$ 3,24R$ 0,00R$ 14,70
CUSTO TOTAL DA EMPRESAEmpresaR$ 2.201,32R$ 1.880,36R$ 9.981,30R$ 8.526,00

É visível que em quase todos os cenários, o modelo do Paulo Guedes iria ser benéfico para o empregador e para o empregado. A única exceção fica por conta do empregado que recebe um salário mínimo em que, no pior dos cenários, arcará com um custo de R$ 3,24.

Fontes de referência:

  • INSS progressivo (7,5–14%) para o empregado e patronal fixo de ~20% para o empregador. Papaya Global+1
  • FGTS de 8% da folha pagos pelo empregador. Papaya Global
  • Contribuições de terceiros (“Sistema S”, Educação, INCRA etc.) podem somar até ~5,8%. Papaya Global

💡 Observação: Os valores exatos podem variar ligeiramente conforme mudanças de normas, mas os percentuais aqui estão alinhados com dados de tributação empresarial de 2025 e 2026.


✅ 6. O que essa tabela nos diz?

1. O trabalhador sofre descontos diretos

  • INSS retido diretamente (7,5–14% progressivo) reduz o salário no contracheque. Papaya Global
  • IRRF pode reduzir ainda mais a renda líquida para salários maiores. Papaya Global

2. A empresa paga muito além do salário

  • INSS Patronal (20%) representa um acréscimo direto ao custo do salário. Papaya Global
  • FGTS (8%), RAT/FAP (~2%) e contribuições de terceiros (~5,8%) ampliam esse custo. Papaya Global
  • Portanto, um salário de R$ 1.621 pode custar para a empresa mais de R$ 2.080 — ou 28% a mais — mesmo antes de férias/13º. Papaya Global

3. Isso reduz a competitividade e desestimula a contratação formal

Essa estrutura é uma das razões pelas quais o modelo tradicional desacelera a geração de empregos formais e empurra muitos trabalhadores para a informalidade.


📌 7. Comparação com a proposta de Paulo Guedes

Agora sim, vamos explicar esse cenário com a proposta defendida pelo Paulo Guedes, que fica visível na tabela anterior contrastando com os valores que são descontados atualmente e o que seria caso sua proposta tivesse sido aprovada. A lógica — confirmada por diversas entrevistas e análises da época — era a de reduzir/zerar a tributação sobre o trabalho e compensar essa perda com um imposto sobre transações financeiras. Repositório IPEA

🔹 7.1 Cenário Atual (CLT)

EncargoQuem pagaPercentual / Impacto
INSS RetidoEmpregado7,5–14% sobre salário
IRRFEmpregado0–27,5% sobre renda
INSS PatronalEmpregador~20% sobre salário
FGTSEmpregador8% sobre salário
RAT/FAPEmpregador~2%
Sistema S etc.Empregador~5,8%
EfeitoTrabalhador + EmpresaAumenta custo de contratação e reduz renda líquida

🔹 7.2 Proposta de Paulo Guedes

Princípio:

  • Zerar ou reduzir drasticamente todos os encargos sobre o trabalho (tanto os pagos pelo empregado quanto pelo empregador). Repositório IPEA
  • Criar um imposto de base ampla sobre transações (digitalizado) como forma de financiar toda a arrecadação necessária para manter o equilíbrio fiscal. Repositório IPEA
Encargo CLT AtualNa proposta Guedes
INSS Retido (7,5–14%)Redução ou eliminação progressiva
IRRF até 27,5%Redução de retenção salarial
INSS Patronal (20%)Zerar ou reduzir perto de 0%
FGTS (8%)Possível substituição por financiamento comparável
RAT/FAP (~2%)Redução na estrutura geral
Sistema S etc. (~5,8%)Redução ou eliminação

7.3 Quem teria redução?

Trabalhadores

  • Salário líquido aumentaria fortemente, pois quase todos os descontos diretos seriam eliminados.

Empregadores

  • Custos com INSS Patronal, FGTS, RAT/FAP e contribuições de terceiros seriam drasticamente menores ou zerados, reduzindo em muito o custo de contratação.

Estado

  • Não perde arrecadação total — ela é deslocada para um imposto de base muito mais ampla (fluxo financeiro digital), com cobrança automática e menor espaço para sonegação.

📊 8. Quanto seria a redução total?

Não é possível dar um número exato universal sem simulações detalhadas (pois depende das faixas salariais e regimes tributários específicos), mas:

  • Redução direta no salário do trabalhador: praticamente elimina os descontos de INSS e IRRF relacionados ao trabalho.
  • Redução direta no custo da empresa: elimina INSS Patronal (20%), FGTS (8%), RAT (~2%) e contribuições de terceiros (~5,8%), reduzindo o custo em mais de 30% sobre o salário bruto. Papaya Global

👉 Conclusão clara: a desoneração completa da folha representa uma redução muito significativa tanto para o empregado quanto para o empregador, com potencial para:

  • aumentar salários líquidos,
  • reduzir custo de contratação,
  • aumentar formalização,
  • ampliar consumo e circulação de renda.

E isso sem perder arrecadação total, desde que a base de tributação sobre transações seja ampla o suficiente.


Nota de gratidão a Paulo Guedes

Foi a proposta apresentada por Paulo Guedes que me forçou a estudar mais profundamente o tema.
O que parecia impossível revelou-se, ao ser analisado com dados e lógica econômica, uma ideia de extraordinária inteligência.
Este artigo não nega sua proposta — ele a honra, reconhece e busca inspiração.


Conclusão

O debate tributário brasileiro precisa sair do campo ideológico e entrar no campo técnico.
Tributar o trabalho não é sustentável em um país que precisa gerar empregos, renda e crescimento.

A alternativa existe, foi debatida, documentada e estudada.
O que falta não é teoria — é coragem e inteligência política.

Se Justiça Social é permitir que as pessoas vivam melhor do próprio trabalho, então repensar a forma como o Estado arrecada é inevitável.

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