O Delegado que Condenou Bolsonaro Agora Trabalha para o Ministro que o Julgou
De acordo com o vídeo publicado pelo canal ANCAPSU, a defesa de Jair Bolsonaro se prepara para protocolar um pedido de revisão criminal da condenação, fundamentado na nomeação do delegado federal Fábio Alvarez Shor para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Sobre o Vídeo
O vídeo do canal ANCAPSU detalha informações relacionadas à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e os desdobramentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Para conhecer a exposição completa dos fatos e argumentos, assista ao conteúdo no canal ANCAPSU.
Quem é Fábio Alvarez Shor?
Com base em informações verificadas na imprensa nacional:
Fábio Alvarez Shor é delegado da Polícia Federal, especialista em contrainteligência, e foi o principal responsável pelos inquéritos que resultaram na condenação de Jair Bolsonaro. Entre os casos que conduziu estão:
- O inquérito da trama golpista, que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022;
- As investigações sobre os atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023;
- O inquérito das joias sauditas;
- O caso da Abin Paralela, que apurou suposto uso irregular da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar autoridades e adversários durante o governo Bolsonaro.
Foi Shor quem assinou, ao lado de uma delegada da PF, o indiciamento de Bolsonaro em novembro de 2024, enquadrando o ex-presidente nos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão.
A Nomeação: Como e Quando Aconteceu
Em 10 de março de 2026, a portaria de nomeação de Shor foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), assinada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. A transferência havia sido solicitada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes à Polícia Federal, e Shor foi designado para o cargo em comissão de Assessor de Ministro, nível CJ-3 — a posição de maior hierarquia abaixo do chefe de gabinete — atuando diretamente nos processos criminais sob a relatoria de Moraes.
A nomeação ocorreu em um momento politicamente delicado: Moraes estava sob escrutínio da imprensa em razão de reportagens sobre suposta relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que amplificou ainda mais a repercussão da chegada de Shor ao seu gabinete.
Movimentações da Defesa de Bolsonaro
Segundo a transcrição do vídeo do canal ANCAPSU, a defesa de Bolsonaro está se preparando para formalizar um pedido jurídico motivado pela nomeação de Shor. O apresentador argumenta que essa movimentação administrativa cria uma circunstância relevante para embasar os encaminhamentos legais da equipe de defesa.
O Que Está em Jogo: Revisão Criminal, Não Apenas Anulação do Inquérito
Conforme apurado pela coluna do jornalista Tiago Pavinatto no Metrópoles, em 12 de março de 2026, advogados da defesa de Bolsonaro se reuniram com juristas para discutir os termos de uma ação de revisão criminal. O pedido buscaria anular não apenas o processo que condenou Bolsonaro, mas também toda a investigação que precedeu e sustentou a denúncia do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet — o que poderia, em tese, desconstituir a condenação e a reclusão do ex-presidente.
O fundamento jurídico alegado é a existência de um fato novo: o delegado que conduziu o inquérito e indiciou Bolsonaro passou a integrar o gabinete do próprio ministro relator do caso — uma relação que, segundo os advogados, comprometeria a imparcialidade do processo.
Novo Capítulo: Reação Política e Pressão sobre o STF
A nomeação gerou reações imediatas no campo político. Figuras da direita e apoiadores de Bolsonaro passaram a questionar publicamente a medida, enquanto setores jurídicos debatem se a proximidade entre o delegado investigador e o ministro relator configura ou não uma irregularidade processual. Especialistas ouvidos pela imprensa se dividiram: parte entende que o argumento da defesa tem base técnica para apreciação; outra parte considera que a nomeação, embora politicamente sensível, não gera automaticamente nulidade.
Pergunta ao Leitor
A nomeação do delegado Fábio Shor para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, após conduzir o inquérito que levou à condenação de Bolsonaro, compromete a imparcialidade do processo? A estratégia da defesa tem fundamento? Comente abaixo.
Conclusão
A nomeação do delegado Fábio Alvarez Shor para o gabinete de Alexandre de Moraes, publicada no Diário Oficial em 10 de março de 2026, abriu uma nova frente jurídica no caso Bolsonaro. A defesa do ex-presidente enxerga na medida um fato novo capaz de embasar um pedido de revisão criminal da condenação de 27 anos e 3 meses — o que vai muito além de uma simples anulação de inquérito.
A questão central é inédita e de alta sensibilidade institucional: o mesmo delegado que investigou, indiciou e forneceu os elementos que levaram à condenação de Bolsonaro passou a trabalhar diretamente para o ministro que relatou e julgou o caso. Seja qual for o desfecho, o episódio promete movimentar o cenário jurídico e político brasileiro nas próximas semanas.
Referências
- 📺 Canal do YouTube: “ANCAPSU” — Defesa de Bolsonaro pretende pedir anulação de inquérito após nomeação de Shor ao gabinete de Moraes
- 🔗 G1 — Delegado da PF que atuou em inquéritos sobre Bolsonaro e 8/1 é nomeado assessor de Moraes no STF (10/03/2026)
- 🔗 Metrópoles — Nomeação de Shor no STF pode anular condenações de Bolsonaro, afirma defesa do ex-presidente (12/03/2026)
- 🔗 Poder360 — Delegado que indiciou Bolsonaro vira assessor de Moraes (10/03/2026)
- 🔗 Folha de S.Paulo — Moraes nomeia delegado da trama golpista como assessor (10/03/2026)
- 🔗 Gazeta do Povo — Delegado da PF em inquéritos de Bolsonaro vira assessor de Moraes (10/03/2026)







