Lula Bate Recorde de Gastos em Três Anos Enquanto Abono Salarial que Era Pago a Pelo Menos 5 Anos Encolhe
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já ultrapassou a marca de R$ 7,35 bilhões em despesas com viagens a serviço desde o início do terceiro mandato, em janeiro de 2023. Os dados, extraídos do Portal da Transparência, mostram que o montante supera a soma dos seis anos anteriores e reacende o debate sobre prioridades no orçamento federal — sobretudo no momento em que novas regras encolhem o abono salarial pago a milhões de trabalhadores.
Conectado expõe o recorde no canal de Ricardo Dias
O tema foi abordado pelo canal Conectado, apresentado por Ricardo Dias, em vídeo publicado em 12 de maio de 2026. O apresentador comenta os números do Portal da Transparência e contrasta a cifra bilionária com os cortes que afetam o bolso de trabalhadores formais.
O que os dados oficiais realmente mostram
De acordo com levantamentos do Portal da Transparência, analisados por veículos como Metrópoles, O Tempo e Valor Econômico, o governo federal contabilizou cerca de R$ 7,35 bilhões em viagens oficiais entre 2023 e os primeiros meses de 2026. O número inclui passagens aéreas nacionais e internacionais, diárias, taxas de agência, seguros e outras despesas reembolsáveis de servidores e comitivas.
Atualização importante: o vídeo afirma que o gasto é o maior “na história do mundo”. Essa comparação não é factualmente verificável e nenhum órgão internacional consolida ranking nesse formato. O recorde apontado por veículos brasileiros refere-se ao maior gasto da série histórica do Portal da Transparência (2015–2026), não a um recorde mundial.
Evolução ano a ano
- 2023: R$ 2,29 bilhões
- 2024: R$ 2,37 bilhões (recorde anual da série)
- 2025: R$ 2,35 a R$ 2,46 bilhões, conforme metodologia
- 2026 (jan–abr): R$ 233,71 milhões
O Metrópoles destaca que os R$ 7 bilhões gastos desde 2023 superam a soma dos seis anos anteriores (2017–2022), período que inclui a pandemia, quando as restrições reduziram fortemente os deslocamentos.
Como o dinheiro foi distribuído
| Categoria | Valor aproximado |
|---|---|
| Diárias | R$ 4,26 bilhões |
| Passagens aéreas | R$ 2,10 bilhões |
| Viagens nacionais | R$ 4,42 bilhões |
| Viagens internacionais | R$ 2,93 bilhões |
Os ministérios da Justiça, Defesa e Educação lideram o ranking de gastos. Os dados não incluem os deslocamentos pessoais do presidente, que usa aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Comparação com outros governos: o que dá para confirmar
O vídeo compara os gastos brasileiros com os dos presidentes Joe Biden e Donald Trump, sugerindo que Lula gastou mais do que os dois somados. Essa comparação direta é problemática: as metodologias de contabilização nos Estados Unidos diferem fortemente das brasileiras, envolvem outras moedas, escopos distintos (presidência, gabinetes, agências) e não são consolidadas no mesmo formato do Portal da Transparência. Portanto, esse paralelo deve ser tratado como dado de comparação aproximada e não como recorde mundial confirmado.
O que é verificável, sim, é o salto interno: entre 2015 e 2025, o governo federal gastou R$ 16,1 bilhões em viagens — e quase metade desse total foi consumido apenas no atual mandato.
O outro lado da moeda: novas regras encolhem o abono salarial
Enquanto os gastos com viagens crescem, o governo aperta a régua sobre o abono salarial PIS/Pasep. A Emenda Constitucional nº 135/2024, em vigor a partir de 2026, mudou a forma de calcular quem tem direito ao benefício.
O que mudou na prática
- O teto de renda deixa de acompanhar o salário mínimo e passa a ser corrigido apenas pelo INPC (inflação).
- O valor de partida foi fixado em R$ 2.640 (referência de dois salários mínimos de 2023).
- Em 2027, o limite cai para o equivalente a cerca de 1,89 salário mínimo, e a previsão é chegar a aproximadamente 1,5 salário mínimo em 2035.
- Estimativa do Ministério da Fazenda: 4,5 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono até 2030.
- Em 2026, cerca de 559 mil pessoas já perdem o direito; em 2027, mais 1,58 milhão.
- A economia projetada chega a quase R$ 25 bilhões acumulados até 2030.
Para entender por que esse tipo de medida tributária e fiscal afeta tanto o brasileiro comum, vale a leitura de nossa análise sobre a alta carga tributária e a estagnação econômica do Brasil.
O que daria para fazer com R$ 7,35 bilhões?
Para dimensionar o valor, vale o exercício citado no vídeo do canal Conectado — adaptado com referências oficiais de custos médios:
- Cerca de 40 mil moradias populares do Minha Casa, Minha Vida;
- Aproximadamente 3 mil km de pavimentação asfáltica;
- Até 84 hospitais com leitos de UTI;
- Em torno de 2.660 unidades básicas de saúde;
- Cerca de 125 mil tratamentos oncológicos no SUS;
- Aproximadamente 430 delegacias da mulher.
Os números são estimativas baseadas em custos médios divulgados por ministérios e órgãos de controle. Não significam que esse dinheiro estivesse, juridicamente, livre para ser realocado, mas servem como termômetro do peso do gasto.
Transparência sob lupa
Reportagens apontam ainda que cerca de R$ 1,2 bilhão dos R$ 7,35 bilhões está classificado como sigiloso, especialmente em ministérios ligados à segurança e defesa. Especialistas em contas públicas defendem maior detalhamento das despesas, e o tema tem ganhado espaço em debates legislativos sobre prioridades fiscais do governo, como a taxação do PIX.
Outras notícias citadas no vídeo
O programa também menciona a cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PT-PR) pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná, com recurso à CCJ e depois ao plenário — etapa institucional típica desses processos. Outra pauta é o depoimento do cantor Ed Motta à polícia do Rio de Janeiro, investigado por injúria e suposta ofensa xenofóbica contra um garçom nordestino. Ambos os casos seguem em tramitação e ainda não têm decisão definitiva — devem ser tratados como fatos em curso, não como condenações.
O paradoxo fiscal
O contraste entre os R$ 7,35 bilhões em viagens e os cortes no abono salarial expõe o coração do debate fiscal brasileiro: quando o Estado precisa economizar, quem sente primeiro? Em geral, as despesas administrativas e políticas resistem, enquanto benefícios sociais e investimentos sofrem ajustes.
Para o trabalhador formal que perde o abono em 2026, a conta é direta: menos cerca de um salário mínimo no fim do ano. Para o governo, a economia ajuda a fechar metas do arcabouço fiscal. Para o eleitor, fica a pergunta: quais gastos são realmente intocáveis?
Como acompanhar os dados você mesmo
- Acesse o Portal da Transparência do Governo Federal e consulte a aba “Viagens a serviço”;
- Filtre por ministério, ano e tipo de despesa;
- Compare valores entre gestões — a série começa em 2015;
- Verifique seu direito ao abono salarial no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal do Ministério do Trabalho.
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Conclusão
O gasto recorde de R$ 7,35 bilhões em viagens oficiais no terceiro mandato de Lula é dado oficial, confirmado pelo Portal da Transparência e por veículos de imprensa de referência. O paralelo com Biden e Trump exige cautela metodológica, mas o crescimento interno é inegável — supera a soma dos seis anos anteriores. Ao mesmo tempo, 4,5 milhões de trabalhadores devem perder o abono salarial até 2030, em um arranjo fiscal que privilegia a contenção sobre os mais vulneráveis e mantém intacta a engrenagem administrativa.
O recado para o cidadão é claro: acompanhar as contas públicas deixou de ser tarefa de especialista. Em ano eleitoral, esse tipo de informação pesa — e muito — na hora do voto.
📚 Referências
- Metrópoles — Gastos com viagens a serviço somam R$ 7 bilhões no governo Lula
- O Tempo — Governo Lula gasta mais de R$ 7,35 bi em viagens oficiais
- SNC TV News — Governo federal ultrapassa R$ 7,35 bilhões em viagens oficiais
- Valor Econômico — Novas regras do PIS/Pasep estão em vigor em 2026
- Exame — Abono salarial deve encolher até 2030
- Estado de Minas — Abono salarial muda em 2026
- Portal da Transparência do Governo Federal







